Pensadores Brasileiros       

Anúncios
Procure o livro dos seus pensadores favoritos na Livraria Cultura!

Add to Technorati Favorites




sexta-feira, setembro 21, 2007

Perguntas frequentes sobre o Conservadorismo - 3

3) Questões Culturais e Sociais


3.1) Quais são os valores da Família e o que eles têm de tão bom?

Eles são hábitos e comportamentos que mantêm a sociedade na qual as lealdades mais básicas das pessoas, e os relacionamentos nos quais elas se baseiam de maneira mais fundamental, têm como objeto pessoas específicas em vez do estado.

Os valores da Família são básicos para a vida moral porque é principalmente nos relacionamentos de maior importância com pessoas específicas que descobrimos o grau de conhecimento concreto e responsabilidade mútua necessários para que nossas obrigações para com os outros se tornem realidades para nós. Além disso, o conhecimento e os hábitos necessários para uma boa vida, na maior parte, têm a ver com as atividades do dia-a-dia das pessoas comuns. Tais coisas perderiam a coerência se as relações pessoais diárias fossem instáveis e não confiáveis, como elas seriam se a lei, os hábitos e comportamentos não sustentassem uma vida familiar funcional e estável.

Se a necessidade de confiabilidade prática em pessoas específicas for vista como algo opressivo e desigual que o estado deveria remediar, os valores da Família serão rejeitados. Os conservadores se opõem à essa rejeição.


3.2) Por que os conservadores não aceitam que os valores pessoais são diferentes de pessoa para pessoa?

Liberais, conservadores e outros, todos reconhecem que há limites quanto à possibilidade de acomodar os diferentes valores pessoais. Tais limites frequentemente aparecem porque os valores pessoais só podem ser realizados através de relações específicas com outras pessoas, e nenhuma sociedade poderia favorecer igualmente todos os tipos de relações. Nenhuma sociedade, por exemplo, poderia favorecer igualmente uma mulher que deseja ter uma carreira e uma outra mulher que quer ser mãe e dona de casa. Se a opinião pública considera que o homem é o principal responsável pelo sustento da família, ela favorecerá a dona de casa em vez da mulher que quer seguir carreira.


3.3) Por que os conservadores sempre querem forçar seus valores em todos os outros?

Os conservadores não são diferentes das outras pessoas nesse aspecto. Qualquer um que tenha uma noção de como a sociedade deve funcionar vai acreditar que as outras pessoas deveriam seguir o programa que ele prefere.

Por exemplo, um liberal pensa que o governo deveria ser responsável pelo bem estar das crianças e quer sustentar esse esquema através de um sistema de impostos que ponha na cadeia quem sonegar. Um conservador pensa que deveria haver a responsabilidade familiar apoiada por um sistema de papéis de gênero e protegida por sanções sociais informais. Ambos vão querer que o ensino nas escolas públicas seja consistente com o programa de cada um. Ambos seriam contra a adoção de um livro infantil com o título "Helena tem duas mães que não pagam impostos porque aceitam pagamento somente em dinheiro". O liberal seria contra o livro "A mamãe de Helena fica em casa e seu papai vai trabalhar" e o conservador seria contra vários outros livros que divulgam o homossexualismo para crianças ("Helena tem duas mamães") . Até mesmo um libertário teria problemas em aceitar o livro "Helena e sua família se organizam para lutar contra a redução dos gastos com a previdência e as creches". Não há nenhum critério válido para considerar que um deles seria mais tolerante do que os outros.

No momento atual, a questão da tolerância social surge com mais frequência relacionada à moralidade sexual, que foi abordada em outro texto.


3.4) Que papel os conservadores acham que o governo deve ter na proteção aos valores morais?

Como os conservadores crêem que os valores morais devem ser determinados mais pelas tradições e sentimentos das pessoas do que por teorias e decisões formais, eles tipicamente preferem as sanções sociais informais do que uma imposição pelo governo. Eles acreditam que o governo devia reconhecer os valores morais nos quais a sociedade se sustenta e devia ser pautado sob o pressuposto de que há coisas boas que devem ser protegidas.

Assim, os conservadores se opõem aos currículos escolares que mostram tais valores como meramente opcionais e aos programas que financiem a rejeição desses valores, como por exemplo, o subsídio concedido aos pais não casados ou a artistas cujas obras ultrajam a moralidade. Eles acreditam que o estado deveria apoiar as instituições morais fundamentais como a Família, e se opõem à legislação que proíbe discriminação por critérios morais.

O grau com que o governo pode e deve promover a moralidade é questão de experiência e circunstância. Nessa questão, assim como em outras, os conservadores tipicamente não têm expectativas muito grandes acerca do que o governo pode fazer.


3.5) Os conservadores não são racistas, sexistas e homofóbicos?

Isso depende do sentido em que essas palavras são empregadas. Frequentemente, são palavras mal-aplicadas.

"Racista" - os conservadores consideram a lealdade à comunidade como algo importante. As comunidades onde as pessoas crescem em geral têm alguma relação com a etnia. Isso não é por acaso, pois a etnia é algo que surge quando as pessoas vivem juntas sob um tipo de vida comum por um longo tempo. Os conservadores pensam que um certo grau de lealdade e separação étnica é razoável. A etnicidade não é a mesma coisa que "raça" como categoria biológica; por outro lado, as duas são difíceis de distinguir porque ambas surgem de uma história e de uma descendência em comum.
[Nota do tradutor: o autor não está falando necessariamente de brancos e negros, mas sim de etnias diferentes, tais como a brasileira (que inclui as várias raças) e a de outros países. A etnia presume genealogia e ascendência comuns, laços históricos, práticas culturais, linguísticas e religiosas comuns.]

"Sexista" - todas as sociedades conhecidas separam as pessoas pelo gênero sexual em estereótipos, com os homens tendo mais responsabilidades nos assuntos públicos e as mulheres tendo mais responsabilidades quanto ao lar, à família e ao cuidado das crianças. Há benefícios óbvios para tais estereótipos, já que eles tornam provável que homens e mulheres complementem uns ao outros e formem uniões estáveis e funcionais para o sustento das crianças. Além disso, um certo grau de diferenciação parece ser mais adequado às tendências pré-sociais de homens e mulheres do que um mundo unissex. Os conservadores não vêem motivo para ignorar esses benefícios, especialmente tendo em vista as más consequências do enfraquecimento das obrigações entre os sexos evidentes nas últimas décadas.

"Homofóbicos" - Finalmente, o estereótipo dos papéis sexuais implicam numa tendência a rejeitar os padrões de impulso, comportamento e conduta que não encaixam nos estereótipos, tais como a homossexualidade.
A perspectiva conservadora sobre questões relacionadas à exigência de "inclusão" liberal é discutida em outro texto.


3.6) O que aconteceria às feministas, homossexuais, minorias raciais e outros marginalizados em uma sociedade conservadora?

O mesmo que acontece aos conservadores sociais e religiosos e às etnias que consideram sua etnia importante numa sociedade baseada na concepção liberal de "inclusão". Eles se encontram numa ordem social que eles não gostam e dominados por pessoas que os desprezam e podem tornar difícil a vida que eles preferem levar.

Em ambos os tipos de sociedade, as pessoas que discordam podem ser capazes de persuadir os outros a praticarem o tipo de vida que eles preferem, ou romper com a sociedade maior e estabelecerem suas próprias comunidades. Tais possibilidades são em geral mais realizáveis em uma sociedade conservadora que enfatiza o controle local, o federalismo e a burocracia mínima do que em uma sociedade que exige "justiça social" igualitária e portanto tenta impôr uma ordem social homogênea e universal.

Por exemplo, as minorias étnicas em uma sociedade conservadora podem ser bem capazes de prosperar ou pelo menos se manterem através de uma combinação de adaptação e ocupação de nichos, enquanto em uma sociedade "inclusiva" elas serão alvo das políticas projetadas para eliminar a importância pública de sua cultura étnica (e também das demais etnias).

Uma questão importante é se a alienação à ordem social será mais comum em uma sociedade liberal ou conservadora. Parece mais comum em uma ordem social baseada na implementação universal das idéias de "justiça social" de uma burocracia do que em uma ordem social que aceita os sentimentos morais e lealdades que emergem ao longo do tempo em determinadas comunidades. Uma sociedade liberal terá, mais do que uma sociedade conservadora, cidadãos que sentem que seus valores e lealdades mais profundas são ignorados pelas instituições que dominam suas vidas e então se sentem marginalizados.


3.7) E a liberdade?

Os conservadores são proponentes das instituições sociais que realizam e protegem a liberdade, mas acreditam que tais instituições atingem seu melhor potencial quando são parte de um todo maior. A liberdade só é realizada plenamente quando somos responsáveis pelas escolhas que fazemos, e é mais proveitosa em situações onde as escolhas levem à uma boa vida. Em vista disso, os conservadores rejeitam perspectivas que enxergam a liberdade como um bem absoluto, e reconhecem que as instituições através das quais a liberdade é realizada devem respeitar os outros bens sem os quais a liberdade não seria proveitosa.

Além disso, os conservadores acreditam que há uma ligação íntima entre a liberdade e a participação em assuntos públicos. Como o nosso modo de viver afeta os outros, a liberdade inclui participar da sociedade. Consequentemente, os princípios conservadores do federalismo, governo local e propriedade privada ajudam a realizar a liberdade ao devolver o poder às várias pessoas e tornando a participação de todos uma realidade. O respeito à tradição, a "democracia dos mortos", tem o mesmo efeito.


3.8) E a justiça?

A justiça entre as pessoas é o respeito às obrigações concretas e à responsabilidade individual. Os conservadores levam ambos muito à sério.

A justiça social é o ordenamento da vida social em busca do bem das pessoas. A injustiça social é a destruição sistemática das condições de existência desse bem. Como o bem das pessoas não pode ser completamente conhecido, e por ele incluir o respeito a cada um de nós como agente moral, e porque os assuntos humanos são infinitamente complexos, a justiça social jamais poderá ser atingida, e será menos ainda através da imposição de um projeto pré-concebido à sociedade.

As tentativas de impôr um projeto têm levado à crimes horríveis, incluindo, em vários exemplos recentes, a morte de milhões de inocentes. Como a justiça social deve evoluir em vez de ser construída, o seu avanço requer aceitação da autoridade e da tradição. Nenhum dos dois pode ser separado.

A justiça social é, às vezes, entendida como uma promoção da igualdade através de ações governamentais abrangentes. Essa idéia está errada pois as pessoas diferem e portanto, o que é justo para cada um é diferente. Além disso, os bens que esse tipo de idéia tem como alvo - riqueza, poder e afins - não são os bens últimos e, portanto, não podem ser considerados como a preocupação final da justiça. Finalmente, um sistema guiado por tal concepção acaba destruindo o seu próprio objetivo porque coloca um poder incontrolável e imenso nas mãos daqueles que controlam o governo; a posse de tal poder, é claro, os torna radicalmente desiguais aos que são governados.




Traduzido do Conservatism FAQ.

Ver também:
Perguntas frequentes sobre o Conservadorismo - Parte 1
Perguntas frequentes sobre o Conservadorismo - Parte 2

Marcadores: , , ,



postado por PBR às      

0 Comentários:

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]

Links para esta postagem:

Criar um link

<< Página inicial







Voltar a Pensadores Brasileiros