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quinta-feira, novembro 08, 2007

Psicohistória e a Teoria da Escolha Racional

Psicohistória

Em sua trilogia de ficção "Foundation", Isaac Asimov baseou os eventos em uma ciência fictícia que combinava história, sociologia e estatística para calcular com precisão as ações de sociedades com bilhões de pessoas e prever e modelar o futuro.

O cientista político, co-autor de "The Strategy of Campaigning" (com a secretária de estado Condolezza Rice) e autor de "The Logic of Political Survival" (à venda no Submarino), Bruce Bueno de Mesquita, criou um programa de computador que usa a teoria da escolha racional (teoria dos jogos) para prever o resultado dos conflitos políticos. Essa teoria assume que as pessoas tendem a promover seus interesses da melhor forma possível.

Segundo o analista da CIA Stanley Feder, o modelo de Bueno de Mesquita vem sendo usado desde o início dos anos 80 para fazer previsões políticas com mais de 90% de acerto. Em 2004, depois das bombas da Al Qaeda explodirem numa estação de trem em Madrid, o Pentágono contratou Bueno de Mesquita, que previu acertadamente que não haveriam ataques nos EUA e que o subalterno de Bin Laden, Al Zawahiri, reapareceria na mídia em novembro.

Sua primeira previsão controversa foi em 1984, quando publicou um artigo prevendo que o Ayatollah Khomeini seria sucedido pelo ayatollah Khamenei e pelo então desconhecido Hashemi Rafsanjani como presidente. Cinco anos depois, aconteceu exatamente o que Mesquita previra e um de seus maiores detratores pediu desculpas em público.

Os líderes políticos são avaliados quanto à importância que dão à glória pessoal e à vontade de implementar seus planos. Ao analisar os problemas, Mesquita busca identificar, com a ajuda dos experts políticos e empresariais, as questões específicas, os possíveis resultados e os personagens-chave, suas preferências, seu poder de influenciar e o quão importante são as questões para cada um deles.

Mesquita cita como exemplo, o ditador Kim Jong Il. O principal motivo para o seu programa nuclear seria prevenir os EUA de tirarem ele do poder, aumentando os custos de uma guerra contra a Coréia do Norte. A solução seria um mecanismo que garantisse os americanos que a bomba atômica não seria usada e que garantisse ao tirano que ele não seria deposto. Talvez não seja coincidência que o acordo recente entre as partes estabeleceu que o ditador desmantelará as armas nucleares existentes sem diminuir a capacidade de fabricá-las e ficará sob a supervisão ininterrupta da International Atomic Energy Agency e os EUA se comprometeram a doar $400 milhões por ano sob o título de "ajuda externa", que será usado pelo tirano para manter a lealdade de seus comparsas.

Com relação à violência na Palestina, Mesquita sugere que as concessões de território não funcionam e que o melhor seria uma fórmula que garantisse incentivos mútuos para a cooperação, provavelmente usando a renda do turismo da região - uma atividade econômica que floresce em tempos de paz - distribuída segundo o percentual da população palestina e israelense.

Contudo, seu trabalho não é isento de falhas. O economista Arnold Kling encontrou um erro estatístico grave: Mesquita faz cálculos misturando variáveis quantitativas (como quantias e número de pessoas) com variáveis de categoria (onde valores discretos 0, 1, 2, ... são usados para designar diferentes tipos de eleições).

Outros criticam o modelo de Mesquita por considerar os políticos de uma forma cínica: quando os atores políticos estão livres das restrições que os obrigam a buscar satisfazer os outros para avançarem seus propósitos, eles não fazem nada de bom. Sua única preocupação é determinar o que os atores políticos querem, o que eles alegam querer e como as várias opções afetarão a carreira do ator político.

O método reconhece que podem existir diferenças entre as alegações e os verdadeiros objetivos e que podem existir incompatibilidades entre as motivações dos líderes políticos de um país e o respectivo interesse nacional. Isto representa um abandono conceitual da velha análise geopolítica que considerava a nação e o estado como unidades centrais da política internacional. Nessa nova abordagem, as interações em política externa são consideradas resultantes do equilíbrio entre as instituições nacionais, seus líderes, elites e cidadãos comuns.

CONTINUA
(A seguir, uma descrição das teorias de Bruce Bueno de Mesquita)




FONTES:
- Podcast com entrevista de Bruce Bueno de Mesquita

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