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segunda-feira, outubro 29, 2007

Devemos afirmar a superioridade dos valores ocidentais?

Devemos afirmar a superioridade dos valores ocidentais?

Transcrição livre da introdução do debate, feita por Ibn Warraq defendendo a superioridade dos valores ocidentais. É uma defesa completamente liberal - iluminista e secular, que se recusa a dar crédito ao Cristianismo como fundamento da civilização ocidental, mas que não deixa de ter razão nos pontos em que se compara com a cultura do Oriente Médio e do Extremo Oriente.

O problema da visão iluminista e secular é que o próprio multiculturalismo, fruto da visão liberal, contraria a superioridade dos valores ocidentais . A ideologia marxista, desde a clássica até a cultural, com sua militância politicamente correta, é filha direta do Iluminismo secularista. Ela mesma vem atacando a liberdade de expressão, a tolerância à dissidência e a independência da lei com relação à ideologia.

No lugar da defesa do racionalismo e da separação entre igreja e estado, o Ocidente padece com a suposição infundada de que nada além do ateísmo é racional e com a imposição da religião ecológica e politicamente correta da esquerda. Ainda com todas essas falhas, a cultura ocidental é melhor do que a islâmica.


Ibn Warraq é autor dos livros 'Why I am Not a Muslim' e 'Defending the West: a Critique of Edward Said’s Orientalism' e editor de várias antologias de críticas ao Corão e testemunhas de ex-muçulmanos ('Leaving Islam').

A seguir os livros de Ibn Warraq que já estão à venda no Brasil:
What the Koran Really Says: Language, Text and Commentary
The Origins of the Koran: Classic Essays on Islam's Holy Book
Leaving Islam: Apostates Speak Out
The Quest for the Historical Muhammad
Why I Am Not a Muslim
The Legacy of Jihad: Islamic Holy War and the Fate of Non-Muslims
Defending The West: A Critique of Edward Said's Orientalism




"As grandes idéias do Ocidente - racionalismo, auto-crítica, busca pela verdade sem viés, separação entre igreja e estado, império da lei, igualdade perante a lei, liberdade de consciência, pensamento e expressão, direitos humanos e democracia liberal - todas essas grandes conquistas da civilização, continuam sendo a melhor e talvez a única maneira com que todas as pessoas, não importando a crença ou raça, alcançam todo o seu potencial e vivem em liberdade.

É por isso que os valores ocidentais, em seu auto-evidente sucesso econômico, social, político, científico e cultural, são claramente superiores à qualquer outro já idealizado pela humanidade.

Quando esses valores foram adotados por outras sociedades, benefícios similares foram obtidos por seus cidadãos, como no Japão e na Coréia do Sul.

Liberdade é também uma grande idéia humana que está incorporada na criação magnificente dos direitos humanos, que são - eu acredito - universais, que transcendem valores locais ou etnocêntricos e conferem valor e dignidade igualmente para toda a humanidade, não importando o gênero, a etnia, a preferência sexual e a religião.

Eu também acredito que é no Ocidente que esses valores são mais respeitados. O Ocidente é que tem liberado as mulheres, as minorias raciais, as minorias religiosas, os gays e as lésbicas numa extensão inimaginável a 60 anos atrás. É no Ocidente que seus direitos são reconhecidos e defendidos.

No Ocidente somos livres para pensarmos o que quisermos, ler o que quisermos, para praticar a nossa religião e viver as nossas vidas conforme nossas próprias escolhas. As noções de direitos humanos e de liberdade estavam presentes no amanhecer da civilização ocidental, pelo menos como ideais, e foram aperfeiçoados com o Iluminismo e apenas agora deram frutos no século XXI como resultado de supremos atos de auto-crítica. Os atos de auto-crítica que levaram à uma maior liberdade para um maior número de pessoas.

Foi o Ocidente que tomou medidas para abolir a escravidão. A causa da abolição da escravatura não ressoou na África negra, onde tribos tomavam prisioneiros negros para serem vendidos para o Ocidente.

Em contraste, apedrejar alguém por adultério é uma clara violação dos direitos humanos dos indivíduos. Punições, leis considerando heranças e os direitos prescritos às mulheres pela Sharia islâmica também violam flagrantemente os direitos dos indivíduos. Sob a lei islâmica, as mulheres não são livres para se casarem com quem quiserem, homossexuais são mortos e apóstatas são executados. O Corão não é um documento que respeita direitos.

Vida, liberdade e a busca da felicidade definem sucintamente a superioridade e a atração que a civilização ocidental exerce. No Ocidente, nós somos livres para escolher, nós temos escolhas reais para buscar os nossos desejos. Nós somos livres para definir os objetivos e o conteúdo das nossas vidas. O Ocidente é feito de indivíduos que são livres para decidirem que significado dar às suas vidas.

Em resumo, a glória do Ocidente é que a vida é um livro aberto, enquanto que no Islã, a vida é um livro fechado, tudo já foi decidido por você - Allah e a lei sagrada definem limites sobre as possibilidades da sua vida. Em vários países não ocidentais, especialmente os islâmicos, não somos livres para ler o que quisermos. Na Arábia Saudita, os muçulmanos não são livres para se converter ao Cristianismo e os cristãos não são livres para praticar sua fé - todas essas são violações claras do artigo 18 da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Esse desejo de conhecimento não importando aonde ele leve, que foi herdado dos gregos, levou à uma outra instituição inigualável e raramente encontrada fora do Ocidente: a Universidade. O mundo externo reconhece a superioridade e os orientais vêem para o Ocidente não apenas para aprender as ciências desenvolvidas no Ocidente nos últimos 500 anos em todos os departamentos de física, biologia e química, mas também para aprender sobre sua própria cultura: eles vêem para o Ocidente para aprender sobre as civilizações orientais e suas linguagens. Orientais vêem para Oxford, Cambridge, Harvard, Yale, Sorbonne, Heidelberg para receberem seus doutorados porque eles conferem prestígio incomparável ao de doutorados similares em países de terceiro mundo.

Uma cultura - que deu ao mundo as criações espirituais da música clássica, de Mozart e Beethoven, Wagner e Schubert, as pinturas de Miguelangelo e Rafael, Da Vinci e Rembrandt - não precisa receber lições de sociedades cuja idéia de espiritualidade é um paraíso populado de fêmeas virgens para o uso dos homens, cuja idéia de céu parece um bordel cósmico.

O Ocidente deu ao mundo, em vez do sistema rígido e desumano de castas da Índia, uma mobilidade social sem paralelo. A sociedade ocidental é uma sociedade de vidas cada vez mais ricas, mais variadas, mais produtivas, mais definidas e mais satisfatórias. É uma sociedade de caridade privada ilimitada. É uma sociedade que, em nome do mérito, acabou com os eternos privilégios de berço. O Ocidente nos deu o milagre liberal dos direitos e responsabilidades individuais, mérito e satisfação humana.

Em contraste com as certezas e regras estupidificantes do Islã, a civilização ocidental oferece o que [Bertrand] Russell chamava de dúvida liberadora, que leva aos princípios metodológicos do ceticismo científico. A ciência e a política prosseguem através de tentativas e erros, discussões e críticas abertas e auto-correções.

O que poderia caracterizar a diferença entre o Ocidente e o resto é a diferença nos princípios epistemológicos. Instituições ocidentais como as universidades, bibliotecas e institutos de pesquisa, pelo menos nos ideais, são academias independentes que glorificam os conhecimentos epistemológicos e onde a busca da verdade é feita com um espírito de questionamento imparcial e livre de pressões políticas.

Em outras palavras, por trás do sucesso moderno das sociedades ocidentais, com sua ciência e tecnologia e instituições abertas, reside uma forma distinta de ver e interpretar o mundo para corrigir os problemas que o afligem. Os problemas são retirados da esfera religiosa e tratados como problemas empíricos cujas soluções estão em procedimentos racionais e abertas às críticas interpessoais racionais, e não em apelos à revelação.

Todo o edifício da ciência moderna e sua metodologia é uma dos grandes contribuições para o mundo. O Ocidente não nos deu seomente a maioria das descobertas científicas dos últimos 500 anos, da eletricidade aos computadores, ele nos deu, graças aos seus impulsos humanitários, a Cruz Vermelha, Doctors Without Frontiers, Human Rights Watch, Anistia Internacional. É o Ocidente que provê a maior parte da ajuda concedida à Darfur. Países islâmicos são conspicuamente ausentes.

O Ocidente não precisa receber lições sobre a virtude superior das sociedades em que as mulheres são mantidas sob sujeição, submetidas à mutilação genital ou apedrejadas até à morte sob alegação de adultério, tendo ácido jogado em seus rostos e entregues em casamento contra sua vontade aos 9 anos de idade. Nem dos países onde os direitos humanos daqueles considerados como pertencentes às castas inferiores são negados. O Ocidente não precisa de homilías hipócritas vindas de sociedades que não conseguem prover água potável limpa para seus cidadãos, que não conseguem prover sistemas de saneamento, que não educam seus cidadãos e atingem de 40 a 50% de analfabetismo, que não faz nenhuma provisão para os inválidos, sociedades que não tem nenhum senso de bem comum, responsabilidades e deveres cívicos, e que estão infestadas com corrupção.

Mais ainda, o resto do mundo reconhece a superioridade do Ocidente. É para o Ocidente que milhões de refugiados de regimes teocráticos e totalitários fogem, apreciando a tolerância e liberdades políticas ocidentais. Milhões arriscam suas vidas tentando chegar ao Ocidente, e não para a Arábia Saudita, Irã ou Paquistão.

Segundo, nenhum político ocidental ficaria impune com os comentários racistas como os de Mohamed Mahatia, o primeiro ministro da Malásia. Nenhum político ocidental se manteria no cargo pois haveriam apelos por sua demissão, até mesmo dos próprios líderes do terceiro mundo, mas também da mídia e dos intelectuais ocidentais. E ainda assim, toleramos as diatribes anti-semitas de Mahatia. Dois pesos e duas medidas? Sim. Mas também é um reconhecimento tácito que espera do Ocidente um padrão ético superior.

Não há piadas no Islã, como Khomeini uma vez disse. O Ocidente é capaz de olhar seus próprios erros e rir, ridicularizar seus princípios fundamentais, mas não há equivalente ainda à "Vida de Brian" do Monty Python. Podemos esperar uma "Vida de Mo[hamed]" ou metade disso?

Finalmente, quando os estudantes chineses clamaram por democracia na Praça Tiananmem, eles não trouxeram representações de Confúcio ou Buda, mas um modelo da Estátua da Liberdade.

Obrigado!"

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