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quarta-feira, junho 11, 2008

Transcrição - Dinesh D'Souza, Christopher Hitchens e a questão dos pagãos



Um cavalheiro nascido em Tonga pergunta:
Professor Hitchens, eu venho de Tonga. Antes do Cristianismo chegar em Tonga e Fiji, em Fiji as pessoas se alimentavam umas das outras. Em Tonga era o caos. Minha questão é: digamos que o Cristianismo nunca tivesse chegado ao Pacífico. O que você teria a nos oferecer como ateísta?

Christopher Hitchens:
Tonga foi uma ex-colônia britânica - eu estou certo de que foi por isso que os Cristãos chegaram até lá - graças ao imperialismo britânico. Esse me parece um problema tremendo. Por que a redenção jamais foi mandada para essa ilha?

Isso me leva à questão que eu já havia abordado: 98 mil anos de existência humana e os céus observaram com indiferença. Agora esperam que acreditemos que, há 2 mil anos atrás, Ele intervém através de um sacrifício humano, no qual todos devem acreditar, e essa é a salvação.

E ela não é oferecida para os chineses, que à essa época podem ler, escrever, construir barcos, ter bibliotecas, pólvora e podem espalhar uma idéia. Não. Leva vários anos até que chegue à China. Há partes de Borneo onde as pessoas ainda praticam canibalismo, aonde essa mensagem ainda não foi divulgada.

Isso não é problema para mim, pois eu considero como um problema criado por humanos. A resposta para você - a menos que você acuse o humanismo ou secularismo de defenderem o canibalismo, coisa que eles não fazem - é como é que pode esse projeto, essa revelação, essa redenção, baseada em fé - e eu devo lembrar Dinesh que minha identificação do problema era precisamente a fé em detrimento da razão e da evidência - por que parece não funcionar?

Por quê há tanto sofrimento, miséria, ignorância, atraso e barbarismo? Por que essa questão fica sem resposta nos termos em que ela é perguntada? Você acabou de perguntá-la para Tonga e Fiji.

Dinesh D'Souza:
Eu acho que Christopher não percebeu a força do argumento aqui, que não é simplesmente que os Cristãos têm sido negligentes em divulgar essa mensagem universal, mas que quando o Cristianismo chegou ao resto do mundo, ele trouxe novos valores para essas culturas.

Uma vez eu disse a meu avô: por que somos parte de uma minúscula minoria Cristã na Índia? E ele disse duas palavras: a Inquisição Portuguesa, significando que alguns missionários muito zelosos, possivelmente acompanhado de baionetas, chegaram à Índia e Cristianizaram os indianos.

Contudo, eu quero dizer duas coisas acerca disso. Mesmo que tenha ocorrido no início, logo você observa que um grande número de indianos correu para o Cristianismo - e por quê?

Conforme eu fui examinando esse assunto e ficando mais velho, eu descobri que no sistema de castas da Índia, você tem 4 castas com os párias por baixo de todos. Se você nasceu pária, você está acabado, não há para onde ir, você não consegue se safar.

Muitas pessoas da classe pária foram muito atraídas para o Cristianismo, pois eles o viam como afirmação da idéia de igualdade espiritual entre as pessoas. Isso não foi imediatamente traduzido e levou bastante tempo até ser traduzido em completa igualdade política e social, mas ele significou que havia algo a dizer a eles: "Você não é um nada, você não é um cão, você é um ser humano e só isso conta muito."

O que o cavalheiro estava tentando dizer é que a maior parte do mundo não tem isso. Nós não o tínhamos na civilização ocidental tampouco. O Cristianismo o trouxe.

Ele importou um pouco disso do Judaísmo, mas o Judaísmo era para a tribo: Deus instruiu seu povo escolhido. O Cristianismo toma a idéia e a universaliza.

Se você olhar para os direitos divulgados pela ONU, a Declaração dos Direitos Humanos, você notará algo muito interessante. Você lê esses direitos, eles são universais? Não, praticamente todos esses direitos são uma herança específica do Cristianismo. É bom que eles sejam universalizados como o Cristianismo queria desde o início, mas eles não eram os direitos compartilhados e reconhecidos em todas as culturas e práticas, sejam elas religiosas ou não, nas outras culturas.

Então eu penso que estamos observando as pessoas que o experimentaram. Eu não me importo com aqueles inquisidores que vieram há muito tempo atrás. Eu sou um tanto grato por eles, embora provavelmente meus ancestrais não compartilhariam do meu entusiasmo.

Mas eles me trouxeram para a órbita do Cristianismo na civilização ocidental e o fato de que os valores que tenho, as crenças que tenho - respeito à dignidade, às mulheres, igualdade e assim por diante - são inteiramente uma herança do Cristianismo como foi "exportado". E sinto em dizer, não o foi pelos britânicos, mas pelos portuguêses. Os britânicos teriam feito um trabalho melhor.

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