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sexta-feira, agosto 10, 2007

Petistas estão querendo a cabeça do presidente da Philips

As elites da esquerda estão organizando boicotes contra a Philips porque o presidente da Philips no Brasil encabeçou o protesto contra o Lula. Estão até enviando emails à matriz internacional da Philips pedindo para demitirem o executivo brasileiro.

Agora é assim: a submissão ao petismo tem que ser total senão vão fazer boicote e mandar email para atacar o meio de sustento alheio. A militância da patifaria.

João Dória Jr.
João Dória Jr.
Paulo Zottolo, presidente de uma das multinacionais mais conceituadas no país, esteve à frente do movimento "Cansei", e a Philips do Brasil publicou anúncios em vários jornais no dia 27 de julho, manifestando seu apoio ao "Cansei"

Em entrevista à Folha de SP, Zottolo explica que sua participação na campanha começou com um telefonema indignado do irmão da cantora Ivete Sangalo sobre a situação no país, e a partir daí, a campanha surgiu e cresceu naturalmente, depois de vários encontros e telefonemas tendo Zottolo e o empresário João Dória Junior como articuladores.

Abaixo, a entrevista de Paulo Zottolo:

Paulo Zottolo
Paulo Zottolo
ENTREVISTA PAULO ZOTTOLO

Guilherme Barros, Folha de São Paulo (02/08/07)

Ricos não são menos brasileiros que pobres, diz o líder do "Cansei". Empresário afirma que não é menos brasileiro por ter dinheiro e nega que movimento pretenda depor o governo Lula.

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No dia 27, a Philips do Brasil publicou anúncio nos principais jornais manifestando seu apoio ao "Cansei". A carta da Philips foi alvo de muitas críticas, inclusive do governo. O presidente da Philips, Paulo Zottolo, 51, nega que o movimento tenha qualquer motivação política ou que vise derrubar o governo -e sugere que o presidente Lula se engaje no movimento.

"Eu posso ter minhas diferenças com o PT, isso é uma coisa, mas o que eu não concordo é achar que qualquer movimento que se faça de cidadania neste país ou é de oposição ou é de elite", diz Zottolo. Ele afirma que vai continuar a apoiar o movimento, apesar das críticas. "Não preciso me sentir culpado porque sou rico", afirma.

FOLHA - Como nasceu o "Cansei"?
PAULO ZOTTOLO - O Jesus Sangalo me ligou dizendo-se indignado com a situação no país e me perguntou se poderia contar com o meu apoio na criação de um movimento de indignação contra isso. Eu indiquei o João Dória Jr, que seria a melhor pessoa para canalizar o movimento. O João Dória me ligou logo depois de ter conversado com o Jesus: "O cara está bravo". Eu disse para o João Dória que o melhor era segurar o cara porque ele estava querendo fazer um movimento que não seria benéfico para ninguém. Dória marcou então uma reunião.

FOLHA - O que foi decidido?
ZOTTOLO - O João Dória disse, na reunião, que esse movimento não poderia ser partidário.

FOLHA - Mas ele apoiou Alckmin.
ZOTTOLO - O que eu estou contando foi o que aconteceu. Ele disse que não poderia ser um movimento político nem um movimento para derrubar presidente ou para provocar o impeachment, o que tinha de ser é um movimento de indignação. Assim começou a história. Nessa reunião eu também dei a idéia de trazer a África [do Nizan Guanaes] para nos ajudar.

FOLHA - O sr. procurou o Nizan?
ZOTTOLO - Nizan estava em férias, eu falei com o Sérgio Gordilho. E ele disse que não poderia ajudar como África, mas sim como amigo. Fizemos uma nova reunião para elaborarmos a campanha e eu dei a idéia de darmos o nome de "Cansei" ao movimento. Todos gostaram.
Para a campanha ter realmente uma razão apartidária, os cansamos têm que ser de atitudes que não são ligadas ao governo, mas ligadas a nós mesmos. Se você pegar a campanha vai ver que os primeiros cartazes são de "cansamos de empresários corruptores", "cansamos de balas perdidas". Não é uma campanha que diz cansei de governo ou coisa parecida. Achamos que não deveria ser liderada por mim ou pelo João Dória, e consultamos a OAB, que se engajou.

FOLHA - Qual é o mote?
ZOTTOLO - O marasmo hoje é do cidadão brasileiro, não é do governo. Como cidadão brasileiro nós estamos aceitando uma tragédia atrás da outra e paramos de nos indignar. E por que paramos de nos indignar? Por que nós como brasileiros não ligamos para o próximo? Não é isso. É porque a sucessão de tragédias é tão grande que você passa de uma indignação para outra. Você passa do dólar na cueca para o buraco do metrô, para o acidente com o avião da Gol, para o acidente com outro avião, para uma notícia que você está voando no espaço aéreo com um buraco negro e que você pode bater com contrabandista, com bala na favela, com garoto sendo arrastado no cinto de segurança de um carro no Rio... Portanto, "Cansei".

FOLHA - O movimento vai apresentar alguma proposta?
ZOTTOLO - Se tivesse proposta seria um movimento partidário. Como não é partidário não pode ter proposta. Para mim, o "Cansei" é um convite à meditação. Isso é uma ajuda que o povo brasileiro deve dar ao governo. Eu quero que o governo se dê bem, não quero que o governo se dê mal. Eu posso ter minhas diferenças com o PT, isso é uma coisa.
Eu posso não concordar com as atitudes do PT, mas o que eu não concordo é achar que qualquer movimento que se faça de cidadania neste país ou é de oposição ou é de elite. Este país tem que parar de ser visto como país: precisa ser visto como nação. Qualquer situação, qualquer movimento, qualquer opinião rapidamente é dividido entre a elite e os pobres. Para se tornar uma nação, o objetivo tem de ser comum.

É esse tipo de reflexão que esse movimento "Cansei" deveria estar fazendo. Quando eu emito uma opinião dizendo "cansei de empresário corruptor" ou "cansei de bala perdida", não quero ser visto como elite branca ou elite branca de Campos do Jordão. Para que isso? Para que essa ofensa toda? Eu quero ser visto como brasileiro que chegou lá. Não preciso me sentir culpado porque eu sou rico. Não roubei ninguém.

Não sei por que ainda se mantém essa distância entre a classe trabalhadora e a classe empresarial, como se fôssemos inimigos, e não somos. Essa é a diferença entre país e nação. O "Cansei" deveria ser um motivo de reflexão para tudo isso.

FOLHA - O que acha dessa reação tão inflamada do governo Lula?
ZOTTOLO - Porque ele acha que é uma coisa partidária. Porque neste país, e não nesta nação ainda, qualquer coisa é vista como partidária, é vista como um movimento de alguns segmentos, e não é. É um movimento puramente nacional. O governo tem que aderir ao movimento. O presidente Lula deveria unir forças, e não dividir cada um para um lado.

FOLHA - O que acha da crítica de que esse movimento está sendo feito por endinheirados?
ZOTTOLO - É uma situação para reflexão. Todo mundo tem o direito de se manifestar.

FOLHA - Qual a responsabilidade do governo para essa situação?
ZOTTOLO - Eu não acho que a situação do Brasil esteja assim por causa do governo do PT. O Brasil está mal por várias outras histórias. Eu não sou petista, mas tem várias atitudes do PT que eu aplaudo, como tem outras que eu absolutamente não aplaudo, como tem várias atitudes do PSDB como oposição que eu rejeito, como outras eu aplaudo. O que eu não aplaudo mais é a oposição. A oposição neste país é destrutiva. A oposição que o PT fez ao governo do PSDB atrapalhou o país. A oposição que os partidos de oposição fazem hoje ao governo atrapalha o país. No final, como nação, o objetivo é um só.

Não existe mais pauta de direita ou de esquerda, não existe mais pauta de elite ou pauta dos pobres, o que existe são alguns movimentos que são comuns que têm que ser realizados por qualquer partido, só que quando um está no poder o outro atrapalha sabendo o que é necessário. A oposição, seja no momento atual ou na época do PT, não pensa no Brasil, e sim no poder. Isso atrasa o país. Nós temos que virar nação.

FOLHA - Apesar disso tudo, os números da economia são positivos.
ZOTTOLO - Os números da economia estão bons, mas não sei se mede-se um país pelos números da economia. Eu tenho salários aqui que são 100 vezes maiores do que qualquer pai dessas famílias ali [e ele aponta para a parede em frente a sua mesa onde estão dispostas 16 molduras em preto e branco com cenas de favelas em diversas cidades brasileiras].

Por que eu mantenho esse quadro? Para toda hora eu estar pensando na realidade que é o meu país. Para não viver num mundo cor-de-rosa de sair daqui, pegar um helicóptero, pegar o meu motorista de carro blindado e andar no meu iate [ele tem um barco a vela]. Isso [as fotos na parede] é a realidade do meu país. Se a economia vai bem e isso continua existindo, o país não vai bem. O que mais me toca nessas fotos é que pela pior situação que essas pessoas vivem todas elas tem um ar de otimismo e de alegria. O grande mérito do PT foi não ter mexido muito na economia, de não ter inventado muita novidade. Nesse ponto, o Lula teve uma cabeça fabulosa.

Sabe por quê? E ninguém está pensando nesse assunto. As pessoas discutem o conceito de esquerda-direita, de rico-pobre, mas se esquecem que o Lula está cercado da elite. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, é o quê? Ele faz parte da elite ou dos movimentos populares? O senhor Mercadante faz parte da elite ou dos movimentos populares? Marta Suplicy veio de onde? Agora, para que essa divisão? Para mim, são brasileiros que estão trabalhando. Se um tem dinheiro a mais ou tem dinheiro a menos, não lhe dá mais ou menos direito de ser brasileiro. Ou será que quanto mais pobre eu for mais brasileiro eu sou?

FOLHA - O "Cansei" vai continuar?
ZOTTOLO - Vou continuar até a hora em que perceber que virou uma coisa partidária. A Philips está nisso desde que movimento seja apartidário. Não estou aqui para derrubar o governo. Mas se eu puder usar a força da Philips e a minha força para derrubar esses conceitos de direita-esquerda, pobre-rico, de elite branca, de elite de campos de Jordão, de movimento Oscar Freire, vou usar. Pelo amor de Deus, nós já passamos por esta fase. O pior é que eu nunca passeei na Oscar Freire.

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