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sexta-feira, setembro 21, 2007

Perguntas frequentes sobre o Conservadorismo - 4

4) Questões Econômicas


4.1) Por que os conservadores dizem favorecer a virtude e a comunidade e no entanto favorecem o capitalismo laissez-faire? O capitalismo laissez-faire não promove o oposto da virtude e da comunidade?

Os conservadores tipicamente não são fãs do puro laissez-faire, embora vejam a liberdade econômica como uma das liberdades tradicionais que tem servido bem à sociedade. Muitos são céticos quanto ao livre comércio e a maioria defende restrições à imigração para permitir a existência e o desenvolvimento de uma comunidade nacional razoavelmente coerente. Nem tampouco eles se opõem em princípio à regulação ou supressão de atividades econômicas que afetem a ordem moral da sociedade, tais como prostituição, pornografia e a venda de certas drogas.

Os conservadores defendem decisivamente os mercados livres quando a alternativa é expandir a burocracia para implementar objetivos liberais, um processo que tem o efeito evidente de prejudicar a virtude e a comunidade. Além disso, eles tendem a preferir a auto-organização em vez do controle central porque acreditam que a administração geral da vida social é impossível. Eles reconhecem que o mercado, como a tradição, frequentemente reflete os objetivos infinitamente variados, inconscientes e não articulados e as percepções das pessoas melhor do que qualquer processo burocrático poderia fazer.

De todo modo, não é certo que o capitalismo laissez-faire necessariamente prejudique a comunidade moral. "Capitalismo laissez-faire" tem a ver com as limitações do que o governo pode fazer e apenas indiretamente tem a ver com a natureza da sociedade como um todo. Embora as estatísticas sociais sejam apenas uma medida imprecisa do estado da comunidade e da moralidade, é bom notar que na Inglaterra, o crime e as estatísticas de filhos fora do casamento caíram pela metade desde meados de 1850 até o fim do século 19, o auge do capitalismo desimpedido, e que a rejeição do laissez-faire foi de fato acompanhada de uma atomização social crescente.


4.2) Por que os conservadores não se importam com o que acontece com os pobres, os fracos, os desesperados e os párias?

Os conservadores se importam sim com o que acontece com essas pessoas. É por isso que eles se opõem aos programas de governo que multiplicam os pobres, os fracos, os desesperados e os párias ao prejudicar e corromper a rede de hábitos e relações sociais que permitem as pessoas conduzirem suas vidas sem depender da burocracia governamental.

A comunidade moral declina quando as pessoas confiam no governo para resolverem seus problemas, em vez de confiarem em si mesmas e naqueles que convivem com elas. São os fracos que sofrem mais com o caos moral resultante. Aqueles que pensam que o liberalismo intervencionista significa que os fracos enfrentariam menos problemas devem considerar os efeitos nas mulheres, nas crianças e nos negros norte-americanos com as tendências dos últimos 40 anos. Nesse período ocorreram grandes aumentos dos gastos em programas sociais, bem como aumento do crime, decréscimo da formação educacional, instabilidade familiar e o fim do progresso na redução da pobreza.


4.3) E as pessoas para as quais as redes normais de apoio não funcionam? O governo não deveria fazer algo por elas?

A questão fundamental é se o governo deveria mesmo ter responsabilidade última pelo bem estar material dos indivíduos. Os conservadores acreditam que não; dar essa responsabilidade significa despotismo, já que o bem estar material é um resultado de um complexo de coisas que no fim se estendem ao todo da vida, e a responsabilidade sobre cada caso individual requer um controle detalhado do todo.

A responsabilidade do governo sobre casos específicos também significa que o que acontece com as pessoas, e portanto os atos de cada um, não é da responsabilidade de ninguém em particular; se há um problema sério, o governo vai cuidar dele. Tal perspectiva destrói os laços sociais e promove um comportamento anti-social. Se o governo faz coisas que enfraquecem a autonomia e os elos morais que sustentam a comunidade - e isso não pode ser feito sem um sistema elaborado de compulsão - ao longo prazo ele vai aumentar o sofrimento e a degradação.

Os conservadores, portanto, suspeitam dos programas de bem estar social, especialmente das tentativas de soluções categóricas. Essa suspeição tem limites racionais. Algumas medidas do governo para o bem estar social (clínicas para gestantes e crianças ou sistemas locais de apoio a pessoas merecedoras) podem aumentar o bem estar social mesmo no longo prazo. Contudo, devido à obscuridade da questão, a dificuldade em uma democracia de massa em limitar a expansão dos programas do governo, e o valor da participação abrangente na vida pública, a melhor solução é manter estritamente limitado o envolvimento do governo central e deixar que os indivíduos, as associações e localidades apóiem voluntariamente as instituições e programas que julguem socialmente benéficos.


4.4) E os programas de bem estar da classe média, tais como o seguro social, previdência, isenções de impostos para juros na prestação da casa própria, e assim por diante?

Os conservadores mais consistentes querem acabar com todos esses programas. O seguro social e o sistema de previdência são financeiramente inviáveis e socialmente prejudiciais porque levam pessoas que seriam capazes de poupar para sua própria aposentadoria e sustentar seus próprios pais a se escorar no governo. Seria melhor substituir isso pela previdência privada, pelo seguro de saúde pré-pago, pela maior ênfase nas obrigações inter-generacionais dentro das famílias e outros arranjos que evoluiriam se a presença do governo fosse reduzida ou limitada.

Outros conservadores distinguem esses benefícios de classe média dos demais programas de bem estar social pelo elemento de reciprocidade; as pessoas obtêm seguro social e de saúde somente se já contribuíram bastante para a sociedade, e no caso da isenção dos juros de compra de imóvel, o benefício consiste apenas no direito de manter para si uma maior parte da própria renda. Ainda outros conservadores tentam detalhar ainda mais as diferenças de outras maneiras. Sob o aspecto prático, a relutância de vários conservadores em mudar esses arranjos é provavelmente motivada em parte pelo poder eleitoral de seus beneficiados.


4.5) Se conservar é uma boa coisa, por que a ecologia não é uma causa dos conservadores?

O conservadorismo se preocupa mais com as relações entre os humanos do que aquelas entre os humanos e a natureza, então a ecologia não é uma das questões que o definem. Entretanto, não há nada no conservadorismo intrinsecamente em conflito com as preocupações ecológicas. Alguns conservadores e escolas conservadoras levam tais questões muito seriamente; outras menos. Há, obviamente, razões conservadoras para criticar ou rejeitar aspectos particulares do movimento ambientalista existente, tais como ênfase exagerada em controles centralizados.




Traduzido do Conservatism FAQ.

Ver também:
Perguntas frequentes sobre o Conservadorismo - Parte 1
Perguntas frequentes sobre o Conservadorismo - Parte 2
Perguntas frequentes sobre o Conservadorismo - Parte 3

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