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domingo, janeiro 07, 2007

Filme "The Good Shepherd"

O filme The Good Shepherd, apesar das suas falhas de enredo devido ao seu viés político, é uma introdução básica à história da criação do Office of Strategic Services por Wild Bill Donovan e sua conversão para CIA.

Uma das falhas do filme foi ter retratado o fracasso da invasão da Baía dos Porcos em Cuba como se fora causado por um duplo-agente na CIA. Na realidade, a invasão fracassou porque, além da idéia da operação não ser promissora (apenas 1.400 homens contra milhares de milícias castristas), Kennedy cancelou o suporte aéreo que seria dado aos bombardeiros B-26 que atacariam a partir da Nicarágua. Sem esse suporte dos caças, esses velhos bombardeiros eram alvos fáceis para os jatos fornecidos a Cuba pelos Soviéticos.

Kennedy cancelou o suporte, condenando a operação ao fracasso, mas não teve coragem de simplesmente cancelar a invasão. Mesmo sabendo que sem suporte dos jatos eles seriam alvejados, os pilotos da CIA se ofereceram para o combate nos bombardeiros obsoletos. Muitos líderes da resistência cubana e vários pilotos morreram.

O filme, no entanto, mostra bem as confusões da Guerra Fria. Os Soviéticos enviavam ao Ocidente seus agentes dedicados da KGB e da GRU que fingiam ser dissidentes (suas famílias eram detidas como garantia). Ao mesmo tempo, praticamente todos os agentes enviados pelo Ocidente à União Soviética eram detectados quase instantaneamente. Isso provocou esforços heróicos e insanos para encontrar um agente infiltrado na própria CIA.

Ironicamente, o agente de fato infiltrado não era da CIA. Foi Kim Philby, um agente britânico que servia de coordenador entre a CIA e os serviços secretos britânicos, que repassava a Moscow tudo que lhe era mostrado pela CIA enquanto a Agência e o FBI procuravam em vão por um agente infiltrado. Alguns detalhes dessa relação entre as comunidades de inteligência britânica e americana e a procura de agentes infiltrados podem ser lidos em Spycatcher, de Peter Wright.

Apesar de tudo, o filme retrata de maneira razoável o tipo de sacrifícios que os agentes da inteligência fazem no ofício de proteger uma sociedade livre. Contudo, se o expectador não possuir algum conhecimento histórico da Segunda Guerra, Fidel Castro e a Crise dos Mísseis, não será capaz de deduzir pelo que o filme mostra e é provável que ache o filme chato.

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postado por PBR às      

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