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segunda-feira, dezembro 07, 2009

Socialismo gera decadência em Dubai

Ahmed al-Atar, 23 anos:
"Esse é o melhor lugar do mundo par ser jovem! O governo paga por sua educação até o nível de PhD. Você ganha uma casa de graça quando se casa! Você ganha tratamento de saúde grátis, e se o daqui não for bom o bastante, eles te dão dinheiro para se tratar no exterior. Você não tem que pagar nem mesmo pelo serviço telefônico. Quase todo mundo tem uma empregada, uma babá, e um chofer. E nós nunca pagamos impostos. Você não queria ter nascido Emirati?"

Segundo ele, a crise de crédito não afeta a maioria dos emiratis pois eles trabalham para o governo e há estabilidade no emprego - só é demitido quem faz algo incrivelmente ruim.


Ahmed não se importa com a falta de liberdade política sob o estado socialista dos Emirados Árabes Unidos:
"Vai ser muito difícil você encontrar um Emirati que não apóie o sheikh Mohammed... não porque tenhamos medo, mas porque realmente o apoiamos. Ele é um grande líder. Basta olhar!" se referindo ao conforto e às facilidades de consumo no país.

Nem todos Emiratis concordam. Sultan al-Qassemi, 31 anos, colunista da imprensa de Dubai e colecionador de arte:
"As pessoas aqui estão se tornando bebês gordos e preguiçosos! O estado-babá está indo longe demais. Nós não fazemos nada sozinhos! Porque nenhum de nós trabalha no setor privado? Porque uma mãe e um pai não tomam conta de seu próprio filho?"

Mas a realidade dos estrangeiros em Dubai é bem pior do que os Emiratis alegam. Muitos imigrantes oriundos de países como Filipinas e Bangladesh vão à Dubai sob patrocínio de agências de emprego que cobram uma taxa do candidato (geralmente uma quantia de seis vezes o valor do salário prometido).

Quando chegam, já endividados, o salário é de menos de 1/4 do que lhes foram prometido e o passaporte é confiscado já no aeroporto pela empresa. Há milhares de imigrantes vivendo em péssimas condições de saneamento e moradia, trabalhando 14 horas diárias sob o sol do deserto. Eles não podem retornar ao seu país de origem porque essas empresas - que em sua maioria, de um jeito ou de outro, são do governo - detêm os passaportes e os forçam a trabalhar. Greves são proibidas e reprimidas pela polícia.


Até mesmo os Emiratis mais liberais como al-Qassemi reagem com irritação diante dessas denúncias:
"As pessoas no Ocidente estão sempre reclamando de nós. (debochando) 'Porque vocês não tratam os animais melhor? Porque vocês não têm melhores anúncios de xampú? Porque vocês não tratam os empregados melhor?'...
Quando eu vejo jornalistas Ocidentais nos criticando - vocês não percebem que estão atirando no próprio pé? O Oriente Médio será bem mais perigoso se Dubai acabar. Nossa exportação não é petróleo, é esperança. Os egípcios ou libanêses ou iraquianos pobres crescem dizendo - eu quero ir pra Dubai. Nós somos muito importantes na região. Nós estamos mostrando como ser um país muçulmano moderno. Nós não temos fundamentalistas aqui. Os europeus não deveriam se vangloriar com a nossa derrocada. Vocês deveriam se preocupar... Vocês sabem o que vai acontecer se esse modelo falhar? Dubai vai cair pro mesmo caminho do Irã, o caminho islamista. ...
Ouça. Minha mãe costumava ir ao poço para pegar um balde de água todas as manhãs. No dia de seu casamento, ela ganhou uma laranja de presente porque nunca tinha comido uma. Dois de meus irmãos morreram quando eram bebês porque o sistema de saúde não existia ainda. Não nos julgue."


Quase todos os Emiratis se justificam usando a ameaça de islamismo como chantagem. Todo iman é indicado pelo governo e todo sermão é controlado para mantê-lo "moderado".

Existe uma minúscula minoria de Emiratis dissidentes. Segundo Mohammed al-Mansoori:
"Os ocidentais vêm aqui e vêem os shopping centers e os arranha-céus e pensam que somos livres. Mas essas empresas e esses prédios altos - são para quem? Isso é uma ditadura. A família real pensa que é dona do país, e o povo são seus servos. Não há liberdade aqui."

Al-Mansoori fez denúncias sobre violações dos direitos humanos em Dubai para a Human Rights Watch e a BBC:
"Eu fui levado pela polícia secreta e me disseram:  cale a boca, ou você vai perder seu emprego e seus filhos ficarão desempregados para sempre. Me confiscaram minha licensa de advogado e meu passaporte. Eu fui para a lista negra e meus filhos também. Os jornais estão proibidos de escrever sobre mim. ...
A maioria das companhias são do governo, então elas se opõem às leis de direitos humanos porque vai reduzir suas margens de lucro. É do interesse delas manter os trabalhadores como escravos."

Há apenas um grupo em Dubai que realmente tem maior "liberdade":  os gays, que se encontram em clubes para dançar, usar ecstasy e se encontrarem, mesmo que oficialmente, a homossexualidade seja oficialmente proibida e punível com 10 anos de prisão. Segundo um árabe gay:
"Dubai é o melhor lugar do mundo para os gays! Nós estamos vivos. Nós podemos nos encontrar. Isso é mais do que a maioria dos gays na Arábia podem fazer. A polícia pode invadir o clube mas eles só nos dispersam porque têm mais o que fazer."

Saleh, um soldado do exército saudita: 
"Na Arábia Saudita, é difícil ser hetero quando se é jovem. As mulheres são mantidas à distância então todo mundo só faz sexo gay. Mas eles só querem fazer sexo com meninos - 15 a 21 anos. Eu tenho 27 então sou muito velho agora. Eu preciso encontrar gays de verdade, então aqui é o melhor lugar. Todos os gays árabes querem viver em Dubai."

Segundo alguns, esse sistema socialista atrai incompetentes:
"Todas as pessoas que não conseguiram ser bem sucedidas em seus países acabam aqui, e de repente ficam ricas e são promovidas para muito acima das suas habilidades e se gama de quão boas elas são. Eu jamais encontrei tanta gente incompetente em cargos de direção como aqui. É absolutamente racista. Eu já tive moças filipinas trabalhando pra mim e fazendo o mesmo trabalho de uma moça européia, mas ela é paga 1/4 do salário. As pessoas que realmente fazem o trabalho são pagas uma ninharia enquanto esses gerentes incompetentes recebem 40 mil libras esterlinas por mês."


E como em todo regime socialista, Dubai é uma catástrofe ecológica e de desperdício. A cidade, em pleno deserto, mantém gramados irrigados, piscinas e até uma montanha artificial congelada para a prática de esqui com neve de verdade.

Numa cidade cuja principal indústria é o turismo, a água das praias é imunda, segundo conta uma funcionária de um hotel, em sigilo: 
"A qualidade da água ficava cada vez pior. Os hóspedes começaram a observar esgoto não tratado, preservativos usados, toalhas sanitárias usadas flutuando. Os exames encomendados pelo hotel revelaram que a água estava 'cheia de matéria fecal e bactérias numerosas demais para contar'. Em teoria, o esgoto era levado em caminhões para fora da cidade, mas na realidade os caminhões estavam em filas de 3 a 4 dias nas estações de tratamento e o esgoto acabava sendo despejado sem tratamento pelas tubulações fluviais em direção ao mar."

Essa funcionária desistiu de reclamar diante das ameaças anônimas:  "Pare de falar mal de Dubai, ou seu visto será cancelado e você será deportada."

"O que eu aprendi de Dubai é que as autoridades não dão a mínima para o ambiente. Eles estão bombeando toxinas para o mar, sua principal atração turística. Se houver problemas ambientais no futuro, eu já digo agora como eles vão lidar com isso - negar que está acontecendo, encobrir e continuar do jeito que está até um desastre total."

---
Condensado do artigo de Johann Hari, "The Dark Side of Dubai"

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segunda-feira, outubro 29, 2007

Devemos afirmar a superioridade dos valores ocidentais?

Devemos afirmar a superioridade dos valores ocidentais?

Transcrição livre da introdução do debate, feita por Ibn Warraq defendendo a superioridade dos valores ocidentais. É uma defesa completamente liberal - iluminista e secular, que se recusa a dar crédito ao Cristianismo como fundamento da civilização ocidental, mas que não deixa de ter razão nos pontos em que se compara com a cultura do Oriente Médio e do Extremo Oriente.

O problema da visão iluminista e secular é que o próprio multiculturalismo, fruto da visão liberal, contraria a superioridade dos valores ocidentais . A ideologia marxista, desde a clássica até a cultural, com sua militância politicamente correta, é filha direta do Iluminismo secularista. Ela mesma vem atacando a liberdade de expressão, a tolerância à dissidência e a independência da lei com relação à ideologia.

No lugar da defesa do racionalismo e da separação entre igreja e estado, o Ocidente padece com a suposição infundada de que nada além do ateísmo é racional e com a imposição da religião ecológica e politicamente correta da esquerda. Ainda com todas essas falhas, a cultura ocidental é melhor do que a islâmica.


Ibn Warraq é autor dos livros 'Why I am Not a Muslim' e 'Defending the West: a Critique of Edward Said’s Orientalism' e editor de várias antologias de críticas ao Corão e testemunhas de ex-muçulmanos ('Leaving Islam').

A seguir os livros de Ibn Warraq que já estão à venda no Brasil:
What the Koran Really Says: Language, Text and Commentary
The Origins of the Koran: Classic Essays on Islam's Holy Book
Leaving Islam: Apostates Speak Out
The Quest for the Historical Muhammad
Why I Am Not a Muslim
The Legacy of Jihad: Islamic Holy War and the Fate of Non-Muslims
Defending The West: A Critique of Edward Said's Orientalism




"As grandes idéias do Ocidente - racionalismo, auto-crítica, busca pela verdade sem viés, separação entre igreja e estado, império da lei, igualdade perante a lei, liberdade de consciência, pensamento e expressão, direitos humanos e democracia liberal - todas essas grandes conquistas da civilização, continuam sendo a melhor e talvez a única maneira com que todas as pessoas, não importando a crença ou raça, alcançam todo o seu potencial e vivem em liberdade.

É por isso que os valores ocidentais, em seu auto-evidente sucesso econômico, social, político, científico e cultural, são claramente superiores à qualquer outro já idealizado pela humanidade.

Quando esses valores foram adotados por outras sociedades, benefícios similares foram obtidos por seus cidadãos, como no Japão e na Coréia do Sul.

Liberdade é também uma grande idéia humana que está incorporada na criação magnificente dos direitos humanos, que são - eu acredito - universais, que transcendem valores locais ou etnocêntricos e conferem valor e dignidade igualmente para toda a humanidade, não importando o gênero, a etnia, a preferência sexual e a religião.

Eu também acredito que é no Ocidente que esses valores são mais respeitados. O Ocidente é que tem liberado as mulheres, as minorias raciais, as minorias religiosas, os gays e as lésbicas numa extensão inimaginável a 60 anos atrás. É no Ocidente que seus direitos são reconhecidos e defendidos.

No Ocidente somos livres para pensarmos o que quisermos, ler o que quisermos, para praticar a nossa religião e viver as nossas vidas conforme nossas próprias escolhas. As noções de direitos humanos e de liberdade estavam presentes no amanhecer da civilização ocidental, pelo menos como ideais, e foram aperfeiçoados com o Iluminismo e apenas agora deram frutos no século XXI como resultado de supremos atos de auto-crítica. Os atos de auto-crítica que levaram à uma maior liberdade para um maior número de pessoas.

Foi o Ocidente que tomou medidas para abolir a escravidão. A causa da abolição da escravatura não ressoou na África negra, onde tribos tomavam prisioneiros negros para serem vendidos para o Ocidente.

Em contraste, apedrejar alguém por adultério é uma clara violação dos direitos humanos dos indivíduos. Punições, leis considerando heranças e os direitos prescritos às mulheres pela Sharia islâmica também violam flagrantemente os direitos dos indivíduos. Sob a lei islâmica, as mulheres não são livres para se casarem com quem quiserem, homossexuais são mortos e apóstatas são executados. O Corão não é um documento que respeita direitos.

Vida, liberdade e a busca da felicidade definem sucintamente a superioridade e a atração que a civilização ocidental exerce. No Ocidente, nós somos livres para escolher, nós temos escolhas reais para buscar os nossos desejos. Nós somos livres para definir os objetivos e o conteúdo das nossas vidas. O Ocidente é feito de indivíduos que são livres para decidirem que significado dar às suas vidas.

Em resumo, a glória do Ocidente é que a vida é um livro aberto, enquanto que no Islã, a vida é um livro fechado, tudo já foi decidido por você - Allah e a lei sagrada definem limites sobre as possibilidades da sua vida. Em vários países não ocidentais, especialmente os islâmicos, não somos livres para ler o que quisermos. Na Arábia Saudita, os muçulmanos não são livres para se converter ao Cristianismo e os cristãos não são livres para praticar sua fé - todas essas são violações claras do artigo 18 da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Esse desejo de conhecimento não importando aonde ele leve, que foi herdado dos gregos, levou à uma outra instituição inigualável e raramente encontrada fora do Ocidente: a Universidade. O mundo externo reconhece a superioridade e os orientais vêem para o Ocidente não apenas para aprender as ciências desenvolvidas no Ocidente nos últimos 500 anos em todos os departamentos de física, biologia e química, mas também para aprender sobre sua própria cultura: eles vêem para o Ocidente para aprender sobre as civilizações orientais e suas linguagens. Orientais vêem para Oxford, Cambridge, Harvard, Yale, Sorbonne, Heidelberg para receberem seus doutorados porque eles conferem prestígio incomparável ao de doutorados similares em países de terceiro mundo.

Uma cultura - que deu ao mundo as criações espirituais da música clássica, de Mozart e Beethoven, Wagner e Schubert, as pinturas de Miguelangelo e Rafael, Da Vinci e Rembrandt - não precisa receber lições de sociedades cuja idéia de espiritualidade é um paraíso populado de fêmeas virgens para o uso dos homens, cuja idéia de céu parece um bordel cósmico.

O Ocidente deu ao mundo, em vez do sistema rígido e desumano de castas da Índia, uma mobilidade social sem paralelo. A sociedade ocidental é uma sociedade de vidas cada vez mais ricas, mais variadas, mais produtivas, mais definidas e mais satisfatórias. É uma sociedade de caridade privada ilimitada. É uma sociedade que, em nome do mérito, acabou com os eternos privilégios de berço. O Ocidente nos deu o milagre liberal dos direitos e responsabilidades individuais, mérito e satisfação humana.

Em contraste com as certezas e regras estupidificantes do Islã, a civilização ocidental oferece o que [Bertrand] Russell chamava de dúvida liberadora, que leva aos princípios metodológicos do ceticismo científico. A ciência e a política prosseguem através de tentativas e erros, discussões e críticas abertas e auto-correções.

O que poderia caracterizar a diferença entre o Ocidente e o resto é a diferença nos princípios epistemológicos. Instituições ocidentais como as universidades, bibliotecas e institutos de pesquisa, pelo menos nos ideais, são academias independentes que glorificam os conhecimentos epistemológicos e onde a busca da verdade é feita com um espírito de questionamento imparcial e livre de pressões políticas.

Em outras palavras, por trás do sucesso moderno das sociedades ocidentais, com sua ciência e tecnologia e instituições abertas, reside uma forma distinta de ver e interpretar o mundo para corrigir os problemas que o afligem. Os problemas são retirados da esfera religiosa e tratados como problemas empíricos cujas soluções estão em procedimentos racionais e abertas às críticas interpessoais racionais, e não em apelos à revelação.

Todo o edifício da ciência moderna e sua metodologia é uma dos grandes contribuições para o mundo. O Ocidente não nos deu seomente a maioria das descobertas científicas dos últimos 500 anos, da eletricidade aos computadores, ele nos deu, graças aos seus impulsos humanitários, a Cruz Vermelha, Doctors Without Frontiers, Human Rights Watch, Anistia Internacional. É o Ocidente que provê a maior parte da ajuda concedida à Darfur. Países islâmicos são conspicuamente ausentes.

O Ocidente não precisa receber lições sobre a virtude superior das sociedades em que as mulheres são mantidas sob sujeição, submetidas à mutilação genital ou apedrejadas até à morte sob alegação de adultério, tendo ácido jogado em seus rostos e entregues em casamento contra sua vontade aos 9 anos de idade. Nem dos países onde os direitos humanos daqueles considerados como pertencentes às castas inferiores são negados. O Ocidente não precisa de homilías hipócritas vindas de sociedades que não conseguem prover água potável limpa para seus cidadãos, que não conseguem prover sistemas de saneamento, que não educam seus cidadãos e atingem de 40 a 50% de analfabetismo, que não faz nenhuma provisão para os inválidos, sociedades que não tem nenhum senso de bem comum, responsabilidades e deveres cívicos, e que estão infestadas com corrupção.

Mais ainda, o resto do mundo reconhece a superioridade do Ocidente. É para o Ocidente que milhões de refugiados de regimes teocráticos e totalitários fogem, apreciando a tolerância e liberdades políticas ocidentais. Milhões arriscam suas vidas tentando chegar ao Ocidente, e não para a Arábia Saudita, Irã ou Paquistão.

Segundo, nenhum político ocidental ficaria impune com os comentários racistas como os de Mohamed Mahatia, o primeiro ministro da Malásia. Nenhum político ocidental se manteria no cargo pois haveriam apelos por sua demissão, até mesmo dos próprios líderes do terceiro mundo, mas também da mídia e dos intelectuais ocidentais. E ainda assim, toleramos as diatribes anti-semitas de Mahatia. Dois pesos e duas medidas? Sim. Mas também é um reconhecimento tácito que espera do Ocidente um padrão ético superior.

Não há piadas no Islã, como Khomeini uma vez disse. O Ocidente é capaz de olhar seus próprios erros e rir, ridicularizar seus princípios fundamentais, mas não há equivalente ainda à "Vida de Brian" do Monty Python. Podemos esperar uma "Vida de Mo[hamed]" ou metade disso?

Finalmente, quando os estudantes chineses clamaram por democracia na Praça Tiananmem, eles não trouxeram representações de Confúcio ou Buda, mas um modelo da Estátua da Liberdade.

Obrigado!"

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sábado, abril 21, 2007

Artigo Recomendado: O Desafio Islâmico - Cruzada e Jihad

O Desafio Islâmico - Cruzada e Jihad

Conferência do pensador liberal J. O. de Meira Penna, realizada no Conselho Técnico, Confederação Nacional do Comércio Rio de Janeiro/RJ em Maio de 2003.

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domingo, janeiro 14, 2007

O Jihad mudou de alvo no Iraque

A insurgência Sunni no Iraque mudou de alvo. Agora os americanos não são mais o alvo preferencial. Agora o Jihad é contra os Shias (xiitas).

Eis um pequeno guia rápido de referência:


Xiitas (shias)Sunni
"partido de Ali"
Irã
Hezbollah
Hamas
60% do Iraque
"povo da tradição do profeta"
Al-Qaeda
Taliban
Arábia Saudita
40% do Iraque
(Saddam Hussein quando vivo)
85% do total de muçulmanos


Sunnis vêem os xiitas como hereges que divulgam uma falsa versão do Islam.

Depois da morte de Mohammed, a maioria dos muçulmanos quiseram eleger os líderes mais capazes e escolheram Abu Bakr como primeiro califa da nação islâmica - estes eram os primeiros sunnis. Eles não acreditam na hereditariedade da liderança espiritual.

Os que discordavam queriam que a liderança continuasse com os descendentes de Mohammed e escolheram seu primo/genro Ali para liderá-los e não reconheceram os líderes eleitos - estes eram os primeiros shias. Os shias (xiitas) acreditam na hereditariedade da liderança espiritual e seguem outros imans que seria indicados por Allah e que seriam infalíveis.

Os xiitas acreditam que há um iman escondido num poço no Irã que a qualquer momento emergirá para executar justiça sobre o mundo. No "Matam", um costume xiita, os fiéis se cortam na cabeça com espadas e facas para que o sangue escorra pelo rosto e se chicoteiam nas costas e nos ombros com correntes durante o Ashura para manifestar devoção e lembrar o martírio do neto de Mohammed, Hussein bin Ali. Tal costume sangrento ofende a maioria sunni.

Durante o estabelecimento de um governo iraquiano, os americanos ofereceram aos sunni uma participação no governo, mas as lideranças sunni boicotaram.

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