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sábado, setembro 22, 2007

Perguntas frequentes sobre o Conservadorismo - 6

6) O caleidoscópio conservador


6.1) Como os libertários se distinguem dos conservadores?

Em geral, os libertários enfatizam governos limitados mais do que os conservadores e acreditam que o único propósito legítimo do governo é a proteção da propriedade privada contra o uso da força e contra a fraude. Assim, eles normalmente consideram como violações ilegítimas da liberdade pessoal as restrições legais em questões tais como imigração, uso de drogas e prostituição.

Alguns, mas não todos os libertários, são de uma opinião que pode ser descrita como economicamente de direita (anti-socialista) e culturalmente de esquerda (oposta à chamada repressão cultural, ao racismo, ao sexismo, à homofobia e assim por diante), e tendem a atribuir à intervenção estatal a persistência das coisas que a esquerda alega combater.

Mais abstratamente, a perspectiva libertária coloca o mercado no lugar da tradição como grande acumulador e integrador do conhecimento implícito da sociedade. Alguns estudiosos, como F. A. Hayek, tentaram conectar as duas perspectivas dessa questão. Além disso, os libertários tendem a acreditar no individualismo metodológico estrito e em direitos humanos universalmente válidos, enquanto os conservadores são menos propensos ao individualismo e tendem a compreender os direitos como dependentes das formas que eles têm em sociedades particulares.


6.2) Qual é a principal vertente entre os conservadores?

São as pessoas que combinam o conservadorismo tradicional delineado neste texto com proporções variadas de libertarianismo e liberalismo. Todo conservador que se elege ou consegue popularidade no mercado (ex.: Rush Limbaugh) é provavelmente um conservador da vertente principal.

Esses conservadores normalmente falam a linguagem do liberalismo, especialmente a do liberalismo clássico. Entretanto, seu apelo é conservador; tipicamente, eles rejeitam as formas mais desenvolvidas de liberalismo e preferem as formas mais antigas que retêm mais vestígios das tradições não-liberais.


6.3) Quem são os neo-conservadores?

São um grupo de conservadores cuja maioria era liberal até o radicalismo de esquerda atingir a popularidade das massas nos anos 60. Suas posturas continuam a evoluir; alguns ainda têm propostas consistentes com o liberalismo do New Deal, enquanto outros já mudaram para um conservadorismo pleno. Muitos deles têm sido associados às revistas "Commentary" e "The Public Interest", e um contingente neo-papalista (que hoje está em conflito com vários outros neoconservadores quanto à relação entre religião e política) está associado à revista "First Things". Sua influência tem desproporcional em relação ao número de seus integrantes, em parte por eles incluírem um número de famosos jornalistas e acadêmicos da costa oeste e do nordeste dos Estados Unidos e em parte porque, por terem sido liberais, ainda conseguem falar a linguagem do liberalismo e retêm uma certa credibilidade nos círculos do Establishment.


6.4) Quem são os paleoconservadores?

São um outro grupo de conservadores, a maioria dos quais nunca foram liberais e vivem em lugares outros que as megalópolis do nordeste dos EUA ou da California. As publicações mais proeminentemente paleoconservadoras são "Chronicles" e "Modern Age". Eles surgiram como um grupo formado para se distinguir na oposição aos neoconservadores depois do sucesso dos neos em se estabelecerem no governo de Ronald Reagan, e especialmente depois que os neos ajudaram a derrotar a candidatura de Mel Bradford à chefia da National Endowment for the Humanities em favor de um dos neos, Bill Bennett. O ponto de vista descrito neste texto é consistente com aquele da maioria dos paleoconservadores, bem como de vários neoconservadores.


6.5) Quem são os paleoliberatários?

São um grupo de libertários, destacando-se Llewellyn Rockwell e o falecido Murray Rothbard, que rejeitam a vertente principal do libertarianismo como libertinagem cultural e por não atacar com firmeza o crescimento do poder estatal. Na maioria das questões, os paleolibertários compartilham de opinião com os paleoconservadores.


6.6) Quem são os neopaleoconservadores da Escola de Frankfurt?

É um grupo (assim chamado pela primeira vez neste texto) que chegou através da crítica cultural da Escola de Frankfurt à uma postura que lembra o paleoconservadorismo, enfatizando o federalismo, a rejeição ao estado terapêutico e controlador, e (mais recentemente) à liturgia.

Sua publicação é "Telos", que agora inclui o paleoconservador Paul Gottfried em seu quadro editorial e o editor de "Chronicles", Thomas Fleming, e escritores como Alain de Benoist, associados à Nova Direita Européia (que também já publicou artigos do autor deste texto).


6.7) Onde se encaixam o movimento pró-vida e a direita religiosa nisso tudo?

Como o conservadorismo, ambos os movimentos rejeitam o hedonismo e a autonomia individual radical e enfatizam a autoridade das instituições baseadas na tradição em oposição àquelas do estado moderno controlador. Seus objetivos gerais podem ser defendidos normalmente sob os princípios conservadores, mas eles tendem a fundamentar seu discurso basicamente nos princípios da lei natural ou da revelação que são às vezes articulados de uma maneira anti-tradicional. Como movimentos populares em uma ordem pública anti-tradicional, eles frequentemente adotam estilos não-conservadores de raciocínio e retórica. Assim, esses movimentos possuem fortes elementos conservadores mas não são puramente conservadores. Contudo, deve ser notado que o conservadorismo puro é raro ou não-existente e pode até não ser coerente; o objetivo do conservadorismo é sempre algum outro bem além da manutenção da tradição como tal.


6.8) Quais são as diferenças entre o conservadorismo americano e o de outros países?

Elas correspondem às diferenças de tradição política. Em geral, o conservadorismo nos Estados Unidos tem uma ênfase mais populista e capitalista/libertária do que em outros países. O conservadorismo europeu uma vez enfatizou a defesa da monarquia, da igreja e da nobreza guerreira como portadores hierárquicos das tradições de autoridade.

Nos Estados Unidos, essas hieraquias nunca existiram, e especialmente nos últimos anos o conservadorismo tem enfatizado a oposição às novas hierarquias anti-tradicionais dos cargos burocráticos e da autoridade acadêmica. Essas diferenças parecem diminuir à medida que outros países se tornem mais parecidos com os EUA e à medida que vários conservadores americanos se sintam mais alienados pelo atual estilo de vida e sistema de governo do seu país.


6.9) O que todas essas coisas que recebem o nome de "conservadorismo" têm em comum?

Cada uma rejeita, através do apelo a algo tradicionalmente valorizado, a tendência liberal de tratar os desejos e impulsos individuais como autoridade final. As diferenças desse ponto de referência dão origem à diferentes formas de conservadorismo. Aqueles que apelam para o indivíduo independente e responsável se tornam conservadores libertários, enquanto aqueles que apelam para a cultura tradicional ou para Deus, se tornam conservadores tradicionalistas ou religiosos. Dependendo das circunstâncias, a aliança entre as diferentes formas de conservadorismo pode se tornar mais forte ou mais fraca. Nos Estados Unidos hoje, conservadores libertários, tradicionalistas e religiosos têm em comum a defesa do federalismo, a limitação do governo pela constituição e a oposição ao estado de bem estar social controlador.




Traduzido do Conservatism FAQ.


Ver também:
Perguntas frequentes sobre o Conservadorismo - Parte 1
Perguntas frequentes sobre o Conservadorismo - Parte 2
Perguntas frequentes sobre o Conservadorismo - Parte 3
Perguntas frequentes sobre o Conservadorismo - Parte 4
Perguntas frequentes sobre o Conservadorismo - Parte 5

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