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sexta-feira, abril 17, 2009

Porque eu não sou mais um esquerdista débil mental

David Mamet, colunista do Village Voice (revista esquerdista) explica "Porque eu não sou mais um esquerdista débil mental"

Mamet recebeu indicações para o Oscar como roteirista dos filmes O Veredito e Manobras na Casa Branca (Wag the dog), escreveu comentários sobre a Torá e The Wicked Son, um ensaio sobre anti-semitismo e auto-ódio Judeu.

Abaixo seguem trechos do artigo publicado no Village Voice:

"...
Eu escrevi uma peça sobre política... sobre a polêmica entre pessoas de duas visões opostas. A discussão da peça era entre um presidente que era corrupto, aceitava suborno e agia em interesse próprio, mas era realista, e seu assessor que escrevia seus discursos e era esquerdista, lésbica e socialista-utópica.

A peça, uma comédia, é uma disputa entre razão e fé, ou talvez entre a visão conservadora (ou trágica) e a visão liberal (ou perfeccionista). O presidente conservador nessa peça crê que todas as pessoas tentam levar sua vida e que a melhor maneira para o governo facilitar isso é desimpedir o caminho, já que os abusos e fracassos inevitáveis desse sistema (a economia de mercado livre) são menores que aqueles da intervenção governamental.

Eu mantive a visão liberal por várias décadas, mas creio ter mudado de idéia.

Como criatura dos anos 60, eu aceitava como artigo de fé que o governo era corrupto, que as empresas exploravam e que as pessoas eram geralmente, no fundo, boas.

Esses preceitos se entranharam ao longo dos anos como preconceitos cada vez mais impraticáveis. Por que eu digo impraticável?
Porque embora eu ainda mantivesse essas crenças, eu já não as aplicava em minha vida. Como eu sei disso? Minha esposa me disse.

Nós estávamos no carro escutando a rádio NPR (rádio estatal americana). Eu sentia meu rosto se contraindo e as palavras começando a se formar na minha mente: Cale a boca. "?" ela antecipou. Seu resumo curto e elegante, como sempre, me despertou para uma verdade mais profunda: eu tenho ouvido a NPR e lido as várias publicações de opinião durante anos, sentindo ora raiva, ora surpresa. E mais: eu descobri que estava referindo-me a mim mesmo por anos como um "esquerdista débil-mental", e à rádio NPR como "National Palestinian Radio".

Isso é, para mim, a síntese dessa visão de mundo com a qual eu agora me vejo desiludido: a de que tudo está sempre errado.

Mas em minha vida, um exame breve revelou, tudo não era sempre errado, e nem foi e nem está sempre errado na comunidade na qual eu vivo, ou em meu país. Além disso, não era sempre errado nas comunidades anteriores nas quais eu vivi, e nas classes das quais eu fiz parte várias vezes.

E, eu imaginava, como pude gastar décadas pensando que eu achava que tudo estava sempre errado ao mesmo tempo em que eu achava que as pessoas eram basicamente boas? Qual dos dois era verdadeiro?
Eu comecei a questionar aquilo que eu realmente achava e descobri que eu não acho que as pessoas no fundo sejam boas; de fato, essa visão da natureza humana tem servido de base para a minha literatura nos últimos 40 anos. Eu acho que as pessoas, em circunstâncias de estresse, podem se comportar como suínos, e que isso, na verdade, não é apenas o assunto principal, mas o único assunto dos dramas.

Eu observei que a cobiça, ganância, inveja, preguiça e seus companheiros estavam deixando o mundo na poeira, mas que todavia, as pessoas em geral conseguem viver um dia após o outro; e que nós, nos Estados Unidos, vivemos um dia após o outro em circunstâncias bem privilegiadas e maravilhosas - que nós não temos sido e jamais fomos os vilões que o mundo e alguns de nossos cidadãos retratam, mas que somos uma composição de indivíduos normais (cobiçosos, gananciosos, em duplicidade, corruptos, inspirados - em suma, humanos) vivendo sob um pacto espetacularmente efetivo chamado de Constituição, e com sorte de tê-la.

Pois a Constituição, em vez de sugerir que todos se comportem divinamente, reconhece que, ao contrário, as pessoas são suínas e vão aproveitar todas as oportunidades para subverter qualquer acordo em busca daquilo que elas consideram seu interesse próprio.

Com essa finalidade, a Constituição separa o poder do estado naqueles 3 poderes que, para a maioria de nós, é a única coisa da qual nos lembramos depois de 12 anos na escola.

A Constituição, escrita por homens que tinham alguma experiência de governo real, assume que o chefe do executivo vai tentar assumir poderes de rei, que o Parlamento vai armar esquemas para vender o patrimônio público e que o judiciário vai se considerar olimpicamente acima dos demais e fazer tudo o que puderem para melhorar (destruir) a operação dos dois outros poderes. Então a Constituição coloca os poderes uns contra os outros, na tentativa não de atingir uma estabilidade mas de permitir as correções constantes e necessárias para impedir que um poder obtenha poder demais e por muito tempo.

É algo brilhante. Pois, abstratamente, podemos visualizar uma perfeição olímpica de seres perfeitos na sede de governo trabalhando para os seus empregadores, o povo. Mas qualquer um que já tenha participado de uma reunião de governo local em que seu interesse estivesse em jogo percebe a gana de se livrar de toda a conversa fiada e partir para a violência.

Eu descobri não apenas que eu não confiava no governo atual (isso não era surpresa), mas que uma revisão imparcial revelou que as falhas do presidente - que eu, como bom esquerdista, considerava um monstro - eram pouco diferentes das do presidente que eu reverenciava.

Bush nos levou ao Iraque, JFK ao Vietnã. Bush roubou as eleições na Flórida; Kennedy roubou em Chicago. Bush expôs um agente da CIA; Kennedy deixou centenas deles para morrerem na Baía dos Porcos. Bush mentiu sobre seu serviço militar; Kennedy aceitou um prêmio Pulitzer por um livro escrito por Ted Sorenson. Bush estava de conluio com os Saudis, Kennedy com a Máfia. Ó.

E eu comecei a questionar meu ódio às "Corporações" capitalistas - o ódio que eu descobri que era apenas o outro lado da minha sede pelos bens e serviços que elas prestavam e sem os quais eu não podia viver.

E eu comecei a questionar minha desconfiança contra os "Militares Malvados" da minha juventude, os quais, eu vi, eram feitos de homens e mulheres que realmente arriscam suas vidas para proteger o resto de nós de um mundo muito hostil. Os militares estão sempre certos? Não. E nem o governo e nem as corporações - eles são apenas painéis diferentes dos vários grupos distintos que formam o amálgama do nosso país. São esses grupos todos infalíveis, livres da possibilidade de ingerência, corrupção e crime? Não, e nem eu nem você. Então, assumindo essa visão trágica, a questão não era "É tudo perfeito?" mas "Como poderia ser melhor, quanto custaria e de acordo com qual definição de 'melhor'?" Colocadas dessa forma, as coisas me pareceram estar indo bem.

Estaria eu falando como membro das "classes privilegiadas"? Mas as classes nos Estados Unidos são móveis, não estáticas, que é a visão marxista. Isto é, imigrantes vieram e continuam a vir para cá sem dinheiro e podem (e conseguem) ficar ricos; o nerd ganha um trilhão de dólares; a mãe solteira, sem dinheiro e ignorante da língua inglêsa, envia seus dois filhos para a faculdade (minha vó). Por outro lado, os ricos e os filhos deles podem ir à falência; a hegemonia das ferrovias foi apropriada pelas companhias aéreas, e aquela das redes de comunicação o foram pela internet; e o indivíduo pode e provavelmente vai mudar de status mais de uma vez durante sua vida.

E quanto ao papel do governo? Bem, resumidamente, tendo a formação que eu tive e a época em que vivi, eu pensava que o governo era uma coisa muito boa, mas fazendo uma avaliação daquelas coisas que me afetavam e nas coisas que eu observo, é muito difícil para eu ver um exemplo onde a intervenção do governo levou a algo que não fosse aborrecimento.

Mas se o governo não deve intervir, como que nós, meros seres humanos, vamos resolver as coisas?

Eu pensei e li, e percebi que eu sabia a resposta e ela era esta: nós conseguimos resolver as coisas. Como eu sei? Pela experiência. Eu tomo o meu próprio caso como exemplo - tire o diretor de uma peça e qual o resultado? Geralmente uma diminuição das brigas, um período de ensaios mais curto e uma produção melhor.

O diretor, em geral, não causa brigas, mas sua presença faz com que os atores inventem e façam alegações para apelar à autoridade - isto é, eles deixam de lado o objetivo principal (atual no papel para a audiência) e passam a fazer política com o objetivo de ganhar status e influência fora do objetivo.

Se um ônibus quebra no meio da noite em local isolado, os passageiros podem se comportar como num drama mal feito, mas logo entram em acordo sobre o que fazer. Cada um deles, instantaneamente, acrescenta à solução o que ele consegue contribuir. E por que? Cada um quer, e de fato, precisa contribuir - colocando como ingrediente de um cozido aquilo que cada um tem para atingir o objetivo maior, bem como adquirir status na comunidade recém-formada. E assim é que funciona.

Veja também que a maior das escolas, o sistema de júri, onde cada um traz nada além de seus próprios preconceitos, e, através de deliberação, chegam à uma solução que não é perfeita, mas é uma solução aceitável para a comunidade - uma solução com a qual a comunidade pode conviver.

Antes das eleições, o meu rabi estava sendo muito criticado. A congregação era exclusivamente esquerdista, e ele, um auto-intitulado independente (leia-se "conservador"), e o rebanho estava ficando insatisfeito. Por que? Porque a) ele jamais discutia política; e b) ele ensinava que a qualidade do discurso político tinha que ser melhorada primeiro - que a lei Judaica ensina que cabe a cada pessoa ouvir a outra.

Então eu, como vários da congregação liberal, comecei, a contragosto, tentar fazer isso. E ao tentar, eu reconheci que eu tinha essas duas perspectivas sobre os EUA (sua política, governo, corporações e militares). Uma era a de um estado onde tudo estava magicamente errado e devia ser imediatamente corrigido a qualquer custo; e a outra - o mundo no qual eu operava no dia a dia - era feita de pessoas, a maioria das quais estavam tentando maximizar seu conforto de maneira razoável ao tentar conviver bem uns com os outros (no trabalho, no mercado, na sala do júri, nas estradas e até nas reuniões escolares).

E eu percebi que era chegada a hora de eu professar a minha participação naqueles Estados Unidos em que eu escolhi viver, aquele país que não era uma sala de aula, mas um mercado livre.

"Ahá", você diria, e com razão. Eu comecei a ler não apenas a economia de Thomas Sowell (nosso maior filósofo contemporâneo) mas também Milton Friedman, Paul Johnson e Shelby Steele, e uma série de escritores conservadores, e descobri que concordava com eles: uma compreensão do mundo de mercado livre mescla mais perfeitamente com a minha experiência do que com aquela visão idealística que eu chamava de esquerdismo.

E ao mesmo tempo, eu estava escrevendo minha peça sobre um presidente corrupto, astucioso e vingativo (como eu assumo que todos eles sejam) e eu dei a esse presidente fictício um assessor para discursos que era, em sua visão, um "esquerdista débil-mental", bem parecido com o que eu era; e ao longo da peça, eles tinham que trabalhar juntos. E eles eventualmente chegaram a um entendimento humano do processo político. Como eu creio tentar fazer, e creio ter conseguido, vou tentar resumir nas palavras de William Allen White.

White foi, por 40 anos, o editor do Emporia Gazette, um jornal rural em Kansas, e um comentarista político proeminente e poderoso. Ele era um grande amigo de Theodore Roosevelt e escreveu o melhor livro que eu já li sobre a presidência. É chamado "Masks in a Pageant", e ele delineia o perfil de presidentes desde McKinley a Wilson, e eu o recomendo sem ressalvas.

White era um homem de mente muito lúcida, e ele conhecia a natureza humana como poucos. (Como Twain escreveu, se você precisa compreeder o homem, gerencie um jornal rural.) White sabia que as pessoas precisavam tanto progredir como conviver, e que elas sempre trabalhavam ora para um ou para o outro objetivo e que o governo deveria mais provavelmente desimpedir o caminho e deixá-las atuar. Entretanto, ele acrescentava, há essa coisa do liberalismo, e ele pode ser resumido à essas palavras tristes: "... mas apesar disso ..."

..."

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