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sexta-feira, agosto 10, 2007

Petistas estão querendo a cabeça do presidente da Philips

As elites da esquerda estão organizando boicotes contra a Philips porque o presidente da Philips no Brasil encabeçou o protesto contra o Lula. Estão até enviando emails à matriz internacional da Philips pedindo para demitirem o executivo brasileiro.

Agora é assim: a submissão ao petismo tem que ser total senão vão fazer boicote e mandar email para atacar o meio de sustento alheio. A militância da patifaria.

João Dória Jr.
João Dória Jr.
Paulo Zottolo, presidente de uma das multinacionais mais conceituadas no país, esteve à frente do movimento "Cansei", e a Philips do Brasil publicou anúncios em vários jornais no dia 27 de julho, manifestando seu apoio ao "Cansei"

Em entrevista à Folha de SP, Zottolo explica que sua participação na campanha começou com um telefonema indignado do irmão da cantora Ivete Sangalo sobre a situação no país, e a partir daí, a campanha surgiu e cresceu naturalmente, depois de vários encontros e telefonemas tendo Zottolo e o empresário João Dória Junior como articuladores.

Abaixo, a entrevista de Paulo Zottolo:

Paulo Zottolo
Paulo Zottolo
ENTREVISTA PAULO ZOTTOLO

Guilherme Barros, Folha de São Paulo (02/08/07)

Ricos não são menos brasileiros que pobres, diz o líder do "Cansei". Empresário afirma que não é menos brasileiro por ter dinheiro e nega que movimento pretenda depor o governo Lula.

>>>

No dia 27, a Philips do Brasil publicou anúncio nos principais jornais manifestando seu apoio ao "Cansei". A carta da Philips foi alvo de muitas críticas, inclusive do governo. O presidente da Philips, Paulo Zottolo, 51, nega que o movimento tenha qualquer motivação política ou que vise derrubar o governo -e sugere que o presidente Lula se engaje no movimento.

"Eu posso ter minhas diferenças com o PT, isso é uma coisa, mas o que eu não concordo é achar que qualquer movimento que se faça de cidadania neste país ou é de oposição ou é de elite", diz Zottolo. Ele afirma que vai continuar a apoiar o movimento, apesar das críticas. "Não preciso me sentir culpado porque sou rico", afirma.

FOLHA - Como nasceu o "Cansei"?
PAULO ZOTTOLO - O Jesus Sangalo me ligou dizendo-se indignado com a situação no país e me perguntou se poderia contar com o meu apoio na criação de um movimento de indignação contra isso. Eu indiquei o João Dória Jr, que seria a melhor pessoa para canalizar o movimento. O João Dória me ligou logo depois de ter conversado com o Jesus: "O cara está bravo". Eu disse para o João Dória que o melhor era segurar o cara porque ele estava querendo fazer um movimento que não seria benéfico para ninguém. Dória marcou então uma reunião.

FOLHA - O que foi decidido?
ZOTTOLO - O João Dória disse, na reunião, que esse movimento não poderia ser partidário.

FOLHA - Mas ele apoiou Alckmin.
ZOTTOLO - O que eu estou contando foi o que aconteceu. Ele disse que não poderia ser um movimento político nem um movimento para derrubar presidente ou para provocar o impeachment, o que tinha de ser é um movimento de indignação. Assim começou a história. Nessa reunião eu também dei a idéia de trazer a África [do Nizan Guanaes] para nos ajudar.

FOLHA - O sr. procurou o Nizan?
ZOTTOLO - Nizan estava em férias, eu falei com o Sérgio Gordilho. E ele disse que não poderia ajudar como África, mas sim como amigo. Fizemos uma nova reunião para elaborarmos a campanha e eu dei a idéia de darmos o nome de "Cansei" ao movimento. Todos gostaram.
Para a campanha ter realmente uma razão apartidária, os cansamos têm que ser de atitudes que não são ligadas ao governo, mas ligadas a nós mesmos. Se você pegar a campanha vai ver que os primeiros cartazes são de "cansamos de empresários corruptores", "cansamos de balas perdidas". Não é uma campanha que diz cansei de governo ou coisa parecida. Achamos que não deveria ser liderada por mim ou pelo João Dória, e consultamos a OAB, que se engajou.

FOLHA - Qual é o mote?
ZOTTOLO - O marasmo hoje é do cidadão brasileiro, não é do governo. Como cidadão brasileiro nós estamos aceitando uma tragédia atrás da outra e paramos de nos indignar. E por que paramos de nos indignar? Por que nós como brasileiros não ligamos para o próximo? Não é isso. É porque a sucessão de tragédias é tão grande que você passa de uma indignação para outra. Você passa do dólar na cueca para o buraco do metrô, para o acidente com o avião da Gol, para o acidente com outro avião, para uma notícia que você está voando no espaço aéreo com um buraco negro e que você pode bater com contrabandista, com bala na favela, com garoto sendo arrastado no cinto de segurança de um carro no Rio... Portanto, "Cansei".

FOLHA - O movimento vai apresentar alguma proposta?
ZOTTOLO - Se tivesse proposta seria um movimento partidário. Como não é partidário não pode ter proposta. Para mim, o "Cansei" é um convite à meditação. Isso é uma ajuda que o povo brasileiro deve dar ao governo. Eu quero que o governo se dê bem, não quero que o governo se dê mal. Eu posso ter minhas diferenças com o PT, isso é uma coisa.
Eu posso não concordar com as atitudes do PT, mas o que eu não concordo é achar que qualquer movimento que se faça de cidadania neste país ou é de oposição ou é de elite. Este país tem que parar de ser visto como país: precisa ser visto como nação. Qualquer situação, qualquer movimento, qualquer opinião rapidamente é dividido entre a elite e os pobres. Para se tornar uma nação, o objetivo tem de ser comum.

É esse tipo de reflexão que esse movimento "Cansei" deveria estar fazendo. Quando eu emito uma opinião dizendo "cansei de empresário corruptor" ou "cansei de bala perdida", não quero ser visto como elite branca ou elite branca de Campos do Jordão. Para que isso? Para que essa ofensa toda? Eu quero ser visto como brasileiro que chegou lá. Não preciso me sentir culpado porque eu sou rico. Não roubei ninguém.

Não sei por que ainda se mantém essa distância entre a classe trabalhadora e a classe empresarial, como se fôssemos inimigos, e não somos. Essa é a diferença entre país e nação. O "Cansei" deveria ser um motivo de reflexão para tudo isso.

FOLHA - O que acha dessa reação tão inflamada do governo Lula?
ZOTTOLO - Porque ele acha que é uma coisa partidária. Porque neste país, e não nesta nação ainda, qualquer coisa é vista como partidária, é vista como um movimento de alguns segmentos, e não é. É um movimento puramente nacional. O governo tem que aderir ao movimento. O presidente Lula deveria unir forças, e não dividir cada um para um lado.

FOLHA - O que acha da crítica de que esse movimento está sendo feito por endinheirados?
ZOTTOLO - É uma situação para reflexão. Todo mundo tem o direito de se manifestar.

FOLHA - Qual a responsabilidade do governo para essa situação?
ZOTTOLO - Eu não acho que a situação do Brasil esteja assim por causa do governo do PT. O Brasil está mal por várias outras histórias. Eu não sou petista, mas tem várias atitudes do PT que eu aplaudo, como tem outras que eu absolutamente não aplaudo, como tem várias atitudes do PSDB como oposição que eu rejeito, como outras eu aplaudo. O que eu não aplaudo mais é a oposição. A oposição neste país é destrutiva. A oposição que o PT fez ao governo do PSDB atrapalhou o país. A oposição que os partidos de oposição fazem hoje ao governo atrapalha o país. No final, como nação, o objetivo é um só.

Não existe mais pauta de direita ou de esquerda, não existe mais pauta de elite ou pauta dos pobres, o que existe são alguns movimentos que são comuns que têm que ser realizados por qualquer partido, só que quando um está no poder o outro atrapalha sabendo o que é necessário. A oposição, seja no momento atual ou na época do PT, não pensa no Brasil, e sim no poder. Isso atrasa o país. Nós temos que virar nação.

FOLHA - Apesar disso tudo, os números da economia são positivos.
ZOTTOLO - Os números da economia estão bons, mas não sei se mede-se um país pelos números da economia. Eu tenho salários aqui que são 100 vezes maiores do que qualquer pai dessas famílias ali [e ele aponta para a parede em frente a sua mesa onde estão dispostas 16 molduras em preto e branco com cenas de favelas em diversas cidades brasileiras].

Por que eu mantenho esse quadro? Para toda hora eu estar pensando na realidade que é o meu país. Para não viver num mundo cor-de-rosa de sair daqui, pegar um helicóptero, pegar o meu motorista de carro blindado e andar no meu iate [ele tem um barco a vela]. Isso [as fotos na parede] é a realidade do meu país. Se a economia vai bem e isso continua existindo, o país não vai bem. O que mais me toca nessas fotos é que pela pior situação que essas pessoas vivem todas elas tem um ar de otimismo e de alegria. O grande mérito do PT foi não ter mexido muito na economia, de não ter inventado muita novidade. Nesse ponto, o Lula teve uma cabeça fabulosa.

Sabe por quê? E ninguém está pensando nesse assunto. As pessoas discutem o conceito de esquerda-direita, de rico-pobre, mas se esquecem que o Lula está cercado da elite. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, é o quê? Ele faz parte da elite ou dos movimentos populares? O senhor Mercadante faz parte da elite ou dos movimentos populares? Marta Suplicy veio de onde? Agora, para que essa divisão? Para mim, são brasileiros que estão trabalhando. Se um tem dinheiro a mais ou tem dinheiro a menos, não lhe dá mais ou menos direito de ser brasileiro. Ou será que quanto mais pobre eu for mais brasileiro eu sou?

FOLHA - O "Cansei" vai continuar?
ZOTTOLO - Vou continuar até a hora em que perceber que virou uma coisa partidária. A Philips está nisso desde que movimento seja apartidário. Não estou aqui para derrubar o governo. Mas se eu puder usar a força da Philips e a minha força para derrubar esses conceitos de direita-esquerda, pobre-rico, de elite branca, de elite de campos de Jordão, de movimento Oscar Freire, vou usar. Pelo amor de Deus, nós já passamos por esta fase. O pior é que eu nunca passeei na Oscar Freire.

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Jornalismo independente no Iraque - II

O texto abaixo foi resumido de um artigo de Michael Yon, outro jornalista independente que não recebe apoio financeiro de nenhuma grande mídia e é inteiramente financiado pelos seus leitores individuais.

O artigo fala das experiências dos soldados americanos com o carro de combate Stryker e mostra um vídeo propagandeado pelos terroristas, onde eles explodem um Stryker.

Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket
Tampa é o nome da principal rota de abastecimento para as forças da Coalizão no Iraque. Bilhões de dólares em equipamento e suprimentos são transportados na via que vai para o norte, enquanto na direção sul, para o Kuweit, vão os veículos danificados, unidades retornando de um ano ou mais de campanha e comboios de caminhões vazios.

Os comboios, ás vezes filas de centenas de caminhões, são guardados por alguns caminhões com armas montadas na traseira, mas não há segurança verdadeira a não ser em números. No Kuweit, a rota Tampa é praticamente segura, exceto pelos perigos comuns do trânsito, como os motoristas malucos disparados em suas Mercedes e BMWs.

Há dois anos atrás, eu vi um aviso pichado numa barreira de concreto que dizia algo como "Cuidado com camelos burros". Só mesmo um soldado poderia ter escrito aquilo - eu pensei - ou talvez um fuzileiro. Depois dele e seus colegas saírem de um Humvee capotado, com suas rodas ainda girando, talvez um deles passou por cima de dois camelos mortos no pavimento, pegou uma lata de spray e pichou aquele aviso para todos os que passassem por ali.

Uma vez dentro do Iraque, embora haja relativamente poucas bombas perto da fronteira com o Kuweit, os comboios têm que se precaver contra motoristas malucos, que vão a 190 km/h e praticamente tirando casca da tinta dos caminhões, que vão tipicamente a 60 km/h.

Para os comboios da rota Tampa, as probabilidades colidem com as estatísticas à medida que o número de ataques parece quase centuplicar. As imagens e fumaça dos caminhões queimando se tornam mais comuns à medida que se aproximam de Bagdá. Em um dia de movimento, é normal pegar um desvio ou parar meia dúzia de vezes ou mais devido à bombas reais ou suspeitadas.

A rodovia Tampa chega em Bagdá e se torna a veia jugular do Iraque por ser muito importante para o sustento da população. Manter essa rodovia transitável é um trabalho para o dia inteiro, pois nela explodem bombas várias vezes por dia, todos os dias da semana. O trabalho de busca e remoção de bombas é uma atividade constante. A cada tempestade de areia ou mau tempo, os terroristas podem salpicar uma estrada com bombas como um entregador de jornal. Algumas estradas foram tão sabotadas que se tornaram impassáveis e não são mais usadas.

Os principais alvos já não são os americanos, mas os demais iraquianos. Eu me lembro de ver as imagens de uma câmera montada num avião de espionagem não-tripulado e nós vimos civis iraquianos mortos na estrada, incluindo uma criança, depois que seu carro foi explodido por uma bomba terrorista. Uma vez que os terroristas sabotem estradas, ruas e cidades inteiras, eles adquirem enorme poder sobre os moradores porque só os terroristas sabem onde as bombas estão e podem matar qualquer um que ofereça oposição, incluindo até ônibus cheios de gente.

Mesmo com todos os equipamentos de alta tecnologia usados pelos peritos e engenheiros, custando bilhões de dólares, o principal equipamento de detecção de bombas ainda são os olhos e os instintos dos soldados. Alguns raros soldados têm uma habilidade tão incomum em detectar bombas que são tratados de maneira especial. Mas não importa o quanto alguém seja bom nisso, é difícil enxergar explosivos plantados em escoadouros, nas tubulações fluviais e de esgoto debaixo das pistas. Na unidade de infantaria com quem eu compartilho uma tenda em Baqubah, 8 dos Strykers foram destruídos - e Strykers não são facilmente destruídos.

Em 2005, os soldados não gostavam da idéia de usar Strykers, mas depois que eles tentaram de tudo para quebrar o carro de combate durante os testes, eles se converteram. É um carro de combate muito bem projetado e construído, e não demorou muito para que os soldados começassem a por apelidos nos seus Strykers de estimação - coisa que nunca aconteceu com um Humvee. Um Stryker é tratado como um membro da tropa e os soldados tomam um cuidado extra. É uma coisa tão bizarra, que quando um Stryker é danificado, os soldados o visitam e se oferecem para ajudar os mecânicos e técnicos a consertarem, enquanto um Humvee é mandado para o conserto sem tanta atenção.

Equipes de combate usam Strykers para patrulhar a rota Tampa na busca e remoção de explosivos. Essas equipes vão aos lugares mais perigosos do Iraque e participam de grandes batalhas que a mídia dificilmente dá notícia, como no caso da equipe 3-2 da Brigada Stryker, que derrotou mais de 250 membros armados de uma seita.

Essa equipe 3-2, liderada pelo Tenente Brad Krauss, dirigia 3 Strykers na rota Tampa e seguia uma outra equipe de busca e remoção numa área de ataques frequentes. Eles estavam escutando música no intercomunicador.

Os terroristas estavam filmando essa equipe quando um dos Strykers, apelidado General Lee, passou sobre um escoadouro onde explosivos haviam sido plantados em enorme quantidade.

A tripulação consistia de 4 homens, com o especialista William Pfeiffer dirigindo, o Tenente Krauss na escotilha esquerda, o Sargento de Esquadrão Daniel Walwark, que operava os mísseis e metralhadoras, e o soldado de primeira classe Devon Hoch ocupando a escotilha posterior. Quando a bomba explodiu, o Stryker foi jogado para cima e caiu sobre seu lado esquerdo.

O vídeo abaixo foi divulgado como propaganda pelos terroristas, dizendo que os soldados foram mortos.



General Lee capotado, de longe
General Lee capotado, de longe
Mas não foi exatamente assim que aconteceu.

O soldado William Pfeiffer não ouviu a explosão mas viu um clarão no periscópio direito e depois viu o céu pelo periscópio, no momento em que o Stryker foi jogado de lado na rota Tampa. Pfeiffer ficou atordoado. Alguns soldados descrevem essa experiência como "minha televisão piscou", ou em casos mais sérios, "minha televisão apagou". A "televisão" de Pfeiffer piscou várias vezes até ele perceber que ainda estava vivo.

A detonação faz com que partículas finas de pós nos veículos se desprendam das superfícies e fiquem em suspensão e o Stryker estava cheio de pó, mas à medida que foi clareando, Pfeiffer olhou para trás e não viu o Tenente Brad Krauss, que havia sido arremessado para fora do Stryker.

General Lee capotado, de mais perto
O que fazer com o General Lee? Até 2 horas se
passariam antes de chegar a equipe de resgate.
O soldado Devon Hoch não ouviu nada, mas depois de ter "piscado", viu que estava entalado na canaleta dos mísseis, lugar impossível de alcançar para a maioria das pessoas. Ele não entendeu como foi parar ali.

O sargento Daniel Walwark ficou metade para fora da escotilha onde estava antes, com pernas e braços para fora e uma perna para dentro. Pfeiffer viu aquilo e pensou que toda a tripulação tinha morrido. Quando a "televisão" de Daniel Walwark "voltou ao ar", ele viu que Krauss estava do lado de fora do General Lee e parecia estar com a metade esmagada debaixo do Stryker, mas ainda estava se mexendo.

Quando Walwark saiu do Stryker, viu que Krauss não havia sido esmagado, mas caído ainda com seu intercomunicador na cabeça. Krauss estava consciente e ouvia vozes. Vozes do intercomunicador. Ele ouvia o Sargento de Primeira Classe Breaud no rádio do Stryker que vinha atrás deles e ele perguntava sobre o estado deles. Atordoado, Krauss apertava o botão errado para falar e, ainda sem lucidez, gritava "eu sou invencível!" Aparentemente, Krauss fora lançado ao ar e aterrissou de cabeça. Walwark respondeu "Não, você não é invencível p**** nenhuma, você é sortudo, p****!"

General Lee capotado, de perto
As costelas de Walwark tinham sofrido impacto e
doíam muito, mas ele subiu no General Lee e
amarrou uma corrente. Dois morteiros foram
disparados na direção deles mas erraram de alvo
em 300 metros.
Walwark olhou para a escotilha do motorista esperando o pior, mas Pfeiffer a abriu e começou a se arrastar para fora. Ele estava com muita dor na perna esquerda. Hoch também conseguiu se arrastar para fora da canaleta de mísseis e estava procurando sua M-4 no meio dos equipamentos e sacos de areia misturados. Walwark olhou para dentro e sem saber o que Hoch fazia, disse "Sai daí, pô!"

Krauss voltou a si, se levantou e sentiu dor na perna: ele havia rompido um ligamento.

Enquanto isso, Breaud estava no rádio dizendo que não havia nenhuma equipe médica à caminho. A equipe de engenheiros voltou para ajudar na segurança, mas não haveria nenhuma outra ajuda por no mínimo 1 ou 2 horas e o resgate seria por conta própria.

Walwark, que estava comandando os homens mas ainda não totalmente recuperado, voltou ao General Lee para pegar sua metralhadora M-240, sem perceber que ela havia sido destruída e que ele estava segurando pedaços dela como se pudesse ainda lutar com aquilo.

O médico Sargento Roel Mansilungan, fez um curativo improvisado na cabeça de Krauss. Um helicóptero chegaria meia hora depois.

Krauss abalado
Krauss, parecendo meio abalado, mas pronto para a
batalha. O General Lee endireitado.
Breaud lembrou que o quartel-general havia dito que levaria uma hora ou duas até que os engenheiros conseguissem sair de lá, mas que ficar no local podia ser um erro fatal. Breaud e Krauss debateram as opções e decidiram pelo auto-resgate, mas tinham que colocar o General Lee sobre suas rodas, que, incrivelmente, continuaram intactas. Walwark disse que eles podiam amarrar uma corrente no pneu e puxar o General Lee com um outro Stryker. Breaud e Krauss concordaram e se puseram à obra.

Walwark, o Sargento de Esquadrão Carl Felton e Breaud amarraram o General Lee a outro Stryker. Dois Bradleys chegaram e um terceiro pelotão do C-52 apareceu com Strykers e um caminhão de reboque que havia quebrado no meio do caminho e teve que ser rebocado por outro Stryker.

Krauss abalado
A bomba fez um estrago imenso. A foto mostra as
duas faixas opostas ao local onde o Stryker foi
atingido. Os explosivos foram colocados debaixo
de ambas as vias norte e sul.
Eles rebocaram o General Lee e o caminhão-reboque de volta para o Campo Taji. Kraus e Walwark continuaram nas escotilhas apesar do que tinha acabado de acontecer e, ainda por cima, encontraram outra bomba no caminho.

A segunda bomba explodiu. Walwark levou uma chuva de cascalho no rosto, um pneu ficou destruído e a armadura do veículo ficou danificada. Outro sargento, Brad Lobmiller estava ocupando a artilharia e estava de pé a apenas poucos metros da explosão e foi jogado para dentro da escotilha. Pfeiffer e Breaud puxaram Lobmiller para trás e, com uma mistura das duas tripulações, a jornada prosseguiu.

Imediatamente depois da explosão, Devon Hoch, que ficou entalado na canaleta dos mísseis depois da primeira explosão, estava no caminhão-reboque em frente e viu um homem correndo de uns arbustos perto da bomba que havia acabado de explodir, e Devon disparou 5 vezes nele com o Stryker em movimento.

No final do dia, 5 de 12 membros do segundo pelotão ficaram feridos, mas o tenente acabou até posando para foto com a doutora.

Krauss abalado
Os outros 4 feridos retornaram ao serviço
imediatamente, mas o Tenente Krauss
levou 3 semanas para se recuperar do
rompimento na perna.
E o General Lee?

O General Lee foi levado ao hospital de Strykers, onde os mecânicos disseram que ia levar 30 dias para retorná-lo à condição de uso. Walwark, Pfeiffer e Hoch ajudaram e conseguiram repor a couraça do Stryker, e o General Lee se recuperou em apenas 3 dias.

Vários meses depois o General Lee levou outra explosão ao sul da vila Shiek Hamed, mais uma vez salvando seus ocupantes. Desta vez, o General Lee vazava combustível, tinha pneus furados e a estrutura arrastava na estrada, mas conseguiram dirigí-lo até à base antes que o combustível acabasse.

Esse foi o fim da linha para o General Lee. Depois de participar de várias batalhas no Iraque afora, e depois de salvar a vida de sua tripulação várias vezes, o General Lee os trouxe de volta pela última vez.

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Entrevista com os organizadores do Fora Lula

Quem tem menos idade está com 21. Quem tem mais, 58. Um é professor secundarista. Outro é engenheiro. Há um aposentado. Alguns são representantes comerciais. Mais os arquitetos, os microempresários, os artistas, um videomaker, os estudantes. Estas 15 pessoas fizeram parte do núcleo que organizou, no sábado, a vitoriosa passeata “Fora Lula”, em São Paulo, e que inspirou o movimento em outras capitais.

Eles se conheceram na Internet. Ali nasceu a passeata de protesto. Ontem, levaram um absurdo puxão de orelha de Jô Soares, que os acusou de não entender o que é democracia. Entendem, sim. E muito. Jô é que não entendeu o movimento e resolveu repetir o diagnóstico defensivo do petismo.

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quinta-feira, agosto 09, 2007

Jornalismo independente no Iraque - I

Michael J. Totten, jornalista independente
Michael J. Totten,
jornalista independente.
Michael J. Totten é um jornalista independente que foi ao Iraque e tem acompanhado várias unidades do exército e dos fuzileiros americanos. Ele paga suas despesas do próprio bolso e com a ajuda dos leitores. Totten conta as realidades da guerra no Iraque que a maioria da grande mídia não ousa retratar, tanto por policiamento ideológico como por interesse ideológico próprio.

Abaixo está uma entrevista dele com um intérprete iraquiano (apelidado de Hammer), que trabalha para as tropas americanas da 82a divisão paraquedista em Bagdá. Intérpretes como ele e suas famílias são ameaçados de morte pelas milícias do Mahdi e terroristas da Al Qaeda, que os acusam de colaboração com o inimigo.

MJT: Por que você trabalha para os americanos?

Hammer: Quando eu tinha 14 anos de idade eu adorava carros e filmes americanos. Os Estados Unidos eram o meu sonho. Era um sonho que se tornou realidade quando o exército dos Estados Unidos veio ao Iraque. Foi um pesadelo em 1991 quando eles foram embora.

Talvez alguém pense que estou mentindo, mas estou apenas dizendo isso. Se meus amigos dissessem algo como armas russas são as melhores ou carros alemães são os melhores, eu diria, não, os americanos é que são. Todo mundo que me conhece sabe disso a meu respeito.

Se qualquer um disser que os árabes vão vencer os Estados Unidos, ele está errado. Os líderes não querem ser iguais ao Saddam. Mas se os Estados Unidos deixarem o Iraque vai ser um grande fracasso, especialmente para mim. Eu não quero ver isso acontecer. Nunca.

MJT: Você gosta de trabalhar com os americanos?

Hammer: Muito. Especialmente quando eu vou para fora da cerca. Eu me sinto um estrangeiro aqui. Quando eu volto para cá, estou em casa. Eu não tenho amigos do lado de fora. Fora, só a minha família. Quando eu vou para casa, eu fico em minha residência. Eu não vou à rua.

MJT: Por que você não tem amigos?

Hammer: Eu não sinto que pertenço a essa sociedade. Eles pensam uns como os outros, mas não pensam como eu. Eu não posso continuar com eles. Eu gosto de saber algo sobre tudo, de aprender o máximo que posso. No Iraque, se você sabe muito, eles vão rir de você e chamá-lo de mentiroso.

Quando eu tinha 20 anos, eu gostava de música americana. Eles não gostam. (risos) Eu não gosto do Saddam. Eu odeio sua família.

MJT: Por que você tem que cobrir o seu rosto?

Hammer: Para proteger minha família. Minha família vive no Iraque. Se eles forem para os Estados Unidos, eu não terei que fazer isso. Mas eu não quero que ninguém descubra quem eu sou, e me siga para ver onde eu moro e matar minha esposa e meu filho.


MJT: Como se sentiu quando os Estados Unidos invadiram o Iraque?

Hammer: Alegre. Era como eu estivesse vivendo numa prisão e alguém me libertasse. Eu não quero o Saddam me governando. Nunca. Eu estava só esperando e esperando por aquele momento.

MJT: O que você acha da possibilidade dos americanos irem embora?

Hammer: É como um sonho ruim. Sonho muito ruim. Um pesadelo. Pior que isso. É como me mandar de volta para a prisão. Como se me libertassem durante 4 anos e me mandassem de volta para a prisão ou me dessem sentença de morte.

MJT: Conte como era viver sob o Saddam Hussein.

Hammer: Era uma vida maluca, como se sentir seguro dentro de uma prisão. Se eles mandassem você para uma prisão de verdade, nada mudaria. Eles prendiam todo mundo, literalmente todo mundo, sem nenhum motivo e mandavam para a prisão por 2 semanas só para mostrarem como era lá dentro.

Eu fui lá 3 vezes. A primeira foi porque eu trabalhava para uma empresa de filmagem. Eles nos mandaram todos para a prisão. Não tinha nada a ver comigo.

Eu recebi uma sentença de 3 anos. Minha família tinha dinheiro, então eu paguei 50 mil dólares ao juiz. Eu entreguei diretamente ao juiz, mais 4 pneus novos para o carro dele e uma antena de satélite. Ele me deu uma sentença de 3 meses em vez de 3 anos. Ele rabiscou "3 anos" na minha sentença e escreveu em cima "3 meses" à mão mesmo.

Eles me mandaram para Abu Ghraib. Eu vi muitas coisas. Se você quer que eu conte como foi lá, eu precisaria de um jornal inteiro.

MJT: Conte um pouco sobre Abu Ghraib.

Hammer: No ônibus para a prisão, eu não fui algemado. Eu perguntei o porquê. O guarda disse "Olhe atrás de você". O primeiro cara atrás de mim tinha uma sentença de 600 anos. O segundo pegou 6 sentenças de enforcamento. O terceiro foi sentenciado a ser jogado de uma janela de segundo andar com os olhos vendados. Duas vezes. Um outro cara estuprou a própria mãe e as irmãs 3 vezes. Ele havia sido liberado no aniversário do Saddam. Um outro cara teve sua mão amputada.

E tinha esse último cara, que foi ao mercado com sua esposa e ficou no carro esperando enquanto ele comprava alguma coisa. Quando ele voltou ao carro, sua esposa estava gritando. Dois caras estavam no carro com ela: um segurava seus braços e o outro a estava estuprando. Ele pegou sua AK-47 e os perseguiu. Quando eles entraram num outro carro deles para fugir dele, ele atirou neles e o carro explodiu. Eles eram da mukhabarat (polícia secreta do Saddam). Ele pegou sentença de morte. Em seu segundo dia em Abu Ghraib eles o mataram e libertaram pela quarta vez o cara que estuprou a própria mãe e irmãs.

Dois guardas que gerenciavam Abu Ghraib vendiam drogas halucinógenas para os prisioneiros. Eles me forçaram a tomar essas drogas. Lá dentro, você precisa de proteção. Você encontra alguém e dá drogas e cigarros em troca. Você paga os guardas para apenas lhe dar um soco na cara e mudá-lo de cela em vez de matá-lo. Eu fui liberado 26 dias depois de chegar, no aniversário do Saddam, antes de completar os 3 meses. Eu não consigo viver mais com esse pesadelo.

MJT: Como ficaram as coisas para o iraquiano comum?

Hammer: Se você der eletricidade para o iraquiano comum agora será o bastante. Essa é a coisa mais importante. Dê energia elétrica que funcione 7 dias seguidos e não haverá mais luta. Depois que os Estados Unidos vieram e o Saddam caiu, eles ganhavam 3 dólares por mês. Agora ganham entre 100 e 700 dólares por mês.

Dar eletricidade reduziria a violência. Se você não acredita, pergunte-se o que aconteceria com essa base do Exército se a energia fosse cortada para sempre e os soldados tivessem que passar o resto de sua vida no Iraque. Você pensa que esses soldados ainda se comportariam de maneira normal?

Os iraquianos estão sendo pagos para armar bombas improvisadas. Eles o fazem para poder comprar gasolina pro seu gerador e esfriar suas casas ou deixar o país. Suas mãos fazem isso, mas não suas mentes.

A TV é uma coisa muito interessante para os iraquianos. Eles aprendem tudo da TV. Agora mesmo eles só têm 1 hora de eletricidade todos os dias. E você sabe o que eles assistem? Al Jazeera. O Al Jazeera os impele a lutar. Se eles tivessem TV o dia inteiro, eles assistiriam muitas coisas. Suas mentes seriam influenciadas por algo além da propaganda terrorista.

Agora mesmo eles não têm eletricidade. Eles não têm sonhos. Nada. E o Saddam bagunçou suas mentes. Por mais de 30 anos ele envenenou suas mentes. Vocês não podem entender o Iraque porque vocês não conseguem entrar em suas mentes. Quando você entra em suas mentes - são mentes loucas.

MJT: Por que o Iraque está tão bagunçado? É culpa dos americanos?

Hammer, intérprete iraquiano
Hammer, intérprete iraquiano
ameaçado de morte pelas
milícias e pelos terroristas.
Hammer: Não. Você não pode culpar os americanos. Os iraquianos são o culpado número um por essa bagunça. Eles são gananciosos e fazem tudo por dinheiro. Eles são como pessoas que ficaram na prisão durante 30 anos, e foram liberadas subitamente, receberam dinheiro, e então tiveram seu dinheiro roubado. O que eles poderiam fazer? Eles matam por dinheiro. Eles são egoístas.

Eles se tornaram egoístas a partir do Saddam. O povo iraquiano costumava ser diferente. Eu sou a mesma pessoa que sempre fui, mas a maioria do povo iraquiano está diferente agora. Eles sentem que ninguém vai ajudá-los então eles se ajudam a si próprios.

MJT: Há solução para o problema nesse país?

Hammer: Joguem uma bomba atômica no Iraque.

MJT: Fale sério.

Hammer: Eu estou sério. Se vocês selecionarem de todos os iraquianos, 5 milhões deles serão de boas pessoas. Livre-os e matem todo o resto. Síria e Irã se renderiam. [risos]

Agora mesmo eles vêem 100 cadáveres por dia nas ruas. Não seria bom matar as pessoas ruins que fazem isso?

Ok, se vocês querem uma solução séria, tentem isso:

Cobre uma multa das famílias dos insurgentes. Multe eles em vastas quantias de dinheiro se alguém de suas famílias for capturado ou morto e identificado como insurgente. Faça-os pagar. Vocês podem colocar isso em lei. Dentro de uma semana, eles já não fariam mais nada porque eles querem dinheiro. Suas famílias os fariam parar.

As milícias pagam 100 dólares para armar uma bomba improvisada. Multe-os em milhares de dólares se eles forem pegos e suas famílias os farão parar. Ponha uma lei dessas sobre eles. Vão em frente! Tentem!

MJT: O que acontecerá se os americanos deixarem o país no ano que vem?

Hammer: Rios de sangue por toda a parte. Síria e Irã vão tomar pedaços do Iraque. Os governos anti-americanos vão rir. Vocês serão a piada do país que ninguém levará à sério.

Eu vou me suicidar se isso acontecer. Estou completamente sério. As milícias vão me caçar e matar a mim e minha família. Eu vou antes deles e me mato.

Eu trabalhei para o governo americano por 4 anos. Todos que trabalham como intérpretes por 4 anos e conseguem uma assinatura de um general ou senador ganha um Green Card. Minha esperança é conseguir um de alguma maneira. Eu faria qualquer coisa para isso.

Estou fazendo isso pelo meu filho. Tudo pelo meu filho. Eu não quero meu filho vivendo aqui, se envolvendo com religião e milícias e Al Qaeda. Eu quero que meu filho seja livre, tenha uma namorada, se case e seja um bom cidadão.

MJT: Quão frequentemente você o vê?

Hammer: 2 dias por mês. Ás vezes 2 dias a cada 2 meses. Eu deixo a base sem meu uniforme e me visto como eles, com camisa e jeans sujos, de modo que eles não saibam que eu trabalho aqui. Então eu dirijo para minha casa e abraço minha esposa e meu filho.

MJT: O que ele quer ser quando crescer?

Hammer: Ele quer ser um soldado americano. Ele tem sua cadeira em seu quarto com a bandeira americana nela. Ele tem uma M-4 de brinquedo e tem um pequeno uniforme que eu ganhei no P/X.

Quando ele vê o Saddam, ele amaldiçoa o Saddam. Eu nunca disse para ele fazer isso. Ele faz por si próprio. Quando ele segura sua arma de brinquedo, ele diz que vai matar os insurgentes. Ele quer ir à Disneylândia. Seu herói é o Arnold Schwartznegger - não o Terminator, mas o Arnold Schwartznegger. Ele tem todos os seus filmes.

O meu herói é o Bill Gates. [risos]

MJT: Você já foi ameaçado de morte?

Hammer: 7 vezes. Uma vez eu tive que vender o meu carro por causa disso. Algumas ameaças vêm das milícias Shia, outras da Al Qaeda. Eu tive duas bombas improvisadas na frente do meu carro e atiraram em mim com uma lançador de granadas quando eu estava trabalhando em Kirkuk para Bechtel em uma usina de petróleo.

MJT: Por que há paz no Curdistão mas não nessa parte do Iraque?

Hammer: Os curdos se livraram do Saddam antes. Eles lutaram contra o Saddam igual aos Shia lutaram contra o Saddam, mas os curdos venceram sua guerra e os Shia perderam. Em 1991, os americanos se tornaram heróis para os curdos, mas desapontaram os Shia e os deixaram para o Saddam. Eles não foram confiáveis. Então na outra vez, em 2003, alguns Shia pensaram em pedir ajuda ao Irã. Eles sabem que o Irã não vai embora. O Irã é mais confiável como aliado do que os americanos.

Os Shia nunca se esquecerão de terem sido abandonados pelos americanos. Eles falam disso o tempo todo ainda hoje. Eles sabem que os Estados Unidos vão deixar o Iraque e que eles vão enfrentar o Al Qaeda sozinhos.

O povo Shia é muito simples, muito fácil. São fáceis de controlar. Não têm que fazer muitas coisas. Só eletricidade, direitos, uma vida decente, uma boa oportunidade de ter um emprego.

MJT: Seria possível mudar os Shia apoiarem os americanos em vez do Moqtada al Sadr?

Hammer: Sim, é fácil. Basta dar a eles essas coisas. Vocês iriam afastar todas as causas desse problema. 16% dos Shia apóiam Moqtada al Sadr. Eles não têm educação. Eles não sabem o que fazer. Eu sei como esse povo pensa. Dê a eles um bom motivo para se unir ao nosso lado e eles o farão.

MJT: Qual é a pior coisa que você já viu nesse país?

Hammer: 60 caras do Al Qaeda sequestraram a irmã de um intérprete. Ela tinha um bebê de 6 meses. Eles a estupraram, todos os 60 caras. Então eles a cortaram em pedaços e jogaram no rio. Eles largaram seu bebê de 6 meses na poça de sangue da mãe.

Nós o encontramos numa fazenda grande ao sul de Bagdá. Tudo o que restava eram suas perninhas e seus sapatos. Os cães o devoraram.

Eu não quero isso para minha família.

Essa gente são como animais que vieram de outro planeta.

MJT: O que foi a coisa mais bonita que você já viu nesse país?

Hammer: Em toda a minha vida? Quando eu tinha 7 anos de idade, eu ouvia o barulho de pombos selvagens de manhã. Então algo aconteceu e eu nunca mais os ouvi.

Então, na manhã da invasão dos Estados Unidos ao Iraque, eu ouvi os pombos de novo.

De verdade, eu não estou brincando. Eu vejo que você não acredita em mim, mas eu não estou fingindo.

MJT: Qual a coisa mais importante sobre o Iraque que os americanos não entendem?

Hammer: Não abram as portas da prisão de uma vez depois de 25 anos. Deixem as pessoas sair passo-a-passo. Os iraquianos precisam de reabilitação. Dê a eles liberdade direta e instantânea e eles ficarão malucos. Isso foi o que os Estados Unidos fizeram.

MJT: Os americanos vão vencer essa guerra?

Hammer: Eu espero que isso aconteça. Mas não vai acontecer se os americanos continuarem a fazer o que estão fazendo, a não ser que tenham muito mais paciência.

MJT: Alguma coisa que você queira dizer que eu não tenha lhe perguntado?

Hammer: Por causa de alguns poucos maus iraquianos que trabalharam de intérprete para os Estados Unidos, ninguém confia em nós. Mas se me dessem uma arma, eu lutaria mais do que os americanos. Vocês podem ir para casa. Eu não posso. Eu sou obrigado a viver nesse país. Se os americanos não derem um Green Card para mim e minha família, eu vou ter que ficar nessa prisão.

No campo Taji, a primeira divisão de cavalaria pensa que os intérpretes são o inimigo. Eles decidiram que os intérpretes que não são cidadãos americanos têm que tirar a bandeira americana de seus uniformes antes de poderem entrar no refeitório.

Eu chorei aquele dia.

Eu não podia, mas eu reclamei. Eu disse que estava tudo bem eu morrer lá fora vestindo a bandeira americana, mas que não podia comer com americanos vestindo a bandeira americana?

Aquele foi o pior dia da minha vida com o exército americano.

Eu digo a você o que eu disse à minha família. Se eu morrer aqui, me enrole na bandeira americana quando me enterrar. Eu não quero ser enterrado com a bandeira do Iraque.

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quarta-feira, agosto 08, 2007

Movimento Endireita Brasil, a Grande Vaia e o Pânico da Esquerda



O Movimento Endireita Brasil conseguiu organizar a Passeata Fora Lula, ocorrida no sábado, 4 de agosto de 2007. A passeata pacífica e democrática - muito diferente das passeatas da esquerda, onde ocorre vandalismo e baderna - teve o percurso da Av. Paulista até o Ibirapuera, terminando em volta do Obelisco dos Heróis de 32

O Movimento Endireita Brasil, representado pelo Dr. Ricardo Salles, participou do debate ao vivo no programa MTV Debate da última terça-feira. Ele debateu com 3 representantes defendendo o governo petista sobre o tema "O movimento Cansei é legítimo?" No debate, os protestos também foram defendidos por Fernando Haddad pelo "Cansei" e o Marcio Neubauer.

Blog do Movimento Endireita Brasil com fotos e vídeos.

Site do Movimento Endireita Brasil, com alguns textos e os objetivos do movimento.


O movimento conseguiu deixar os figurões da esquerda borrando nas calças. Tanto é assim que estão apelando para acusações infundadas de golpismo, ora dizendo que o movimento é elitista (no entanto, o governo convoca empresários beneficiados pelo estado para fazer um contra-protesto e toda a grande mídia puxa-saco se esforça por diminuir e difarmar o protesto) ou dizendo que foi um fracasso (então por que se importam tanto?). O governo petista é muito mais elitista do que qualquer movimento elitista poderia ser: no governo petista, bancos anunciam lucros recordes e a maioria dos seus diretores são burocratas conhecidos.

Estão com medo de fracassar no principal objetivo do Foro de São Paulo. É o medo de perder na América Latina o que perderam no Leste Europeu, simbolizada pela queda do muro de Berlin.

Esquerda

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